O fato
Na noite de quarta-feira (16/09), o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano — o quinto corte seguido do ciclo de flexibilização iniciado em março. No mesmo dia, o Federal Reserve elevou a faixa dos Fed Funds em 0,25 ponto, para 3,75%-4% ao ano, em decisão unânime e a primeira alta de juros americana desde 2023. Nesta quinta-feira (17/09), no primeiro pregão após as duas decisões, o Ibovespa opera em queda de 0,49%, aos 184.638 pontos, por volta das 11h10, e o dólar sobe 0,18%, cotado a R$ 5,161.
Por que importa
O corte da Selic e a alta do Fed produzem, ao mesmo tempo, um estreitamento do diferencial de juros entre Brasil e EUA — o gap que remunera o capital estrangeiro alocado em ativos brasileiros. Com o juro americano subindo e o juro brasileiro caindo, a atratividade do carry trade perde força, o que tende a pressionar o real e tornar o fluxo estrangeiro para a bolsa mais seletivo. Do lado doméstico, o Copom evitou sinalizar explicitamente o próximo passo, equilibrando o espaço aberto pela moderação da inflação com a cautela de decidir às vésperas da eleição presidencial de outubro. Do lado americano, o Fed reconhece inflação ainda elevada e mantém a porta aberta para mais uma alta ainda em 2026, segundo as próprias projeções do comitê.
Quem reage
O efeito no pregão é desigual. Petrobras cede com o petróleo mais fraco no exterior (PETR4 -1,27%, PETR3 -0,97%), e os grandes bancos também pesam — Itaú -1,34%, Banco do Brasil -1,72% e Bradesco entre -1,92% e -2,05%. Vale é a exceção, com alta de 1,34%. Na tradução para ETFs da B3, o movimento do Ibovespa pressiona o BOVA11; já o IVVB11, atrelado ao S&P 500, tende a captar o efeito da alta do Fed sobre o dólar e os ativos americanos. e seguem sensíveis a qualquer sinalização adicional de aperto monetário global, que reduz o apetite por risco.