O fato
O IPCA de agosto veio negativo em -0,32%, abaixo da expectativa de mercado (-0,29%) e o pior resultado mensal desde agosto de 2022 (-0,36%). No acumulado de 12 meses, a inflação oficial desacelerou para 4,22%, dentro da meta e abaixo do teto de 4,5%. O dado chega dias antes do Copom, que se reúne na terça e quarta-feira (15 e 16/09) para decidir a Selic, hoje em 14% ao ano.
Por que importa
A deflação surpresa reforça a aposta de um novo corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic a 13,75%. O detalhe que muda o jogo: na mesma semana, o Federal Reserve também decide juros nos Estados Unidos, enquanto Banco da Inglaterra e Banco do Japão fazem o mesmo em seus países — um alinhamento raro de decisões monetárias das quatro maiores economias em poucos dias. Se o Fed cortar junto com o Copom, o diferencial de juros Brasil-EUA se estreita menos do que o temido, sustentando o fluxo de capital para ativos brasileiros. Se o Fed vier mais conservador, o dólar tende a se fortalecer globalmente, pressionando o real e os ativos locais.
Como a semana fechou
O Ibovespa encerrou a sexta-feira, 11/09, em queda de 0,56%, aos 187.206,89 pontos, mas fechou a semana com alta de 1,11% — a quarta semana seguida no positivo, movimento que se reflete no ETF BOVA11. O dólar fechou a sexta em alta de 0,47%, a R$ 5,125, com leve recuo de 0,09% na semana. Lá fora, o S&P 500 fechou a sexta com ganho de 0,86%, referência replicada pelo IVVB11 na B3. Analistas atribuem a cautela da última sessão também à queda do petróleo e à tensão institucional envolvendo o Judiciário, fatores que entram no cálculo do prêmio de risco do país.
O que fica para o investidor
A semana que começa concentra o maior volume de decisões de juros do ano: Copom na quarta, Fed no mesmo dia, e BoE e BoJ também na agenda. Para quem tem exposição a renda variável brasileira via BOVA11 ou a bolsa americana via IVVB11, o ponto de atenção não é o corte da Selic isoladamente — já esperado — mas o tom do Fed sobre o ritmo de cortes nos EUA, que definirá a direção do dólar e do fluxo estrangeiro para a B3 nas próximas semanas. Na abertura de segunda-feira, o mercado deve precificar o desfecho da tensão institucional e o preço do petróleo apurado no fim de semana antes mesmo de qualquer sinalização dos bancos centrais.