O que ficou da semana
Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em recorde histórico, aos 209.066,90 pontos (+1,38%), e o dólar encerrou abaixo de R$ 5 pela primeira vez em meses, a R$ 4,9845 (-0,79%). Em Nova York, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq também avançaram (+0,6%, +0,8% e +0,6%, respectivamente). O gatilho doméstico foi político: pesquisas Datafolha (Flávio Bolsonaro 49% x Lula 45%) e Atlas/Bloomberg (51,1% x 45,7%) mostraram o candidato do PL abrindo vantagem para o 2º turno, reduzindo a percepção de incerteza eleitoral que pesava sobre os ativos brasileiros. Do lado da inflação, o IPCA de setembro veio em +0,82%, revertendo a deflação de agosto (-0,32%) e levando o índice em 12 meses a 4,58% — acima do teto de 4,5% da meta. No exterior, o petróleo subiu na semana (Brent a US$ 104,72, WTI a US$ 91,85) com o conflito no Oriente Médio ainda em aberto, parcialmente compensado pelo sinal da Saudi Aramco de que vai atender toda a demanda de refinarias europeias em novembro.
A agenda que importa
Na segunda-feira (12/10), feriado de Nossa Senhora Aparecida mantém a B3 fechada — só os mercados globais operam, com liquidez mais fina. Na terça (13/10), JPMorgan, Goldman Sachs, Citigroup e Wells Fargo abrem a temporada de balanços do terceiro trimestre nos EUA antes da abertura de Nova York (consenso para o JPMorgan: lucro por ação de US$ 5,90 e receita de US$ 51,5 bilhões). Na quarta (14/10), Bank of America e Morgan Stanley completam o pacote dos seis maiores bancos americanos — o primeiro termômetro de crédito e atividade de mercado desde a escalada geopolítica e a disparada do petróleo.
Os temas em aberto
A corrida presidencial é o tema que mais mexe com o apetite por risco local: depois do 1º turno (Flávio Bolsonaro 47,03% x Lula 45,16%), as pesquisas da semana passada mostraram o deslocamento de vantagem para o candidato do PL a 14 dias do 2º turno, em 25/10. No Oriente Médio, a tensão segue sem desfecho e mantém o petróleo como fator de risco para a inflação global. E no Brasil, o IPCA de volta acima do teto da meta ocorre num momento em que o Copom só volta a se reunir em 3 e 4 de novembro — ou seja, sem resposta de juros nesta janela.