O que é
Marcação a mercado é o preço que um título de renda fixa teria hoje, se você resolvesse vendê-lo antes do vencimento. Não é o valor combinado lá na ponta, quando o título vence — é uma espécie de cotação diária, que sobe e desce conforme as condições do mercado mudam.
Como funciona na prática
Pense assim: você empresta R$ 1.000 a um amigo, a uma taxa fixa de 10% ao ano, para receber de volta em cinco anos. Um mês depois, esse mesmo amigo passa a pegar dinheiro emprestado de outras pessoas pagando 15% ao ano, porque o custo do dinheiro no país subiu. Se você quiser repassar esse empréstimo a um terceiro antes do prazo, ninguém vai pagar o valor cheio por um contrato que rende só 10%, podendo conseguir 15% em outro lugar. Você teria que vender com desconto.
O mesmo acontece com o Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA+ (título que paga a inflação oficial do país — o IPCA, Índice de Preços ao Consumidor Amplo — mais uma taxa fixa, visto no Cap. 5): a taxa combinada na compra não muda, mas o preço de revenda no mercado secundário, sim. Quando as taxas de títulos novos sobem, o preço dos títulos antigos, com taxa mais baixa, cai. Quando as taxas novas caem, o preço dos títulos antigos sobe, porque eles ficam mais atraentes. É uma relação de gangorra: taxa e preço andam em direções opostas. O Tesouro Selic (Cap. 3) escapa quase inteiro dessa gangorra, porque sua remuneração já acompanha a Selic dia a dia.
Um exemplo com números
Em setembro de 2026, o Tesouro IPCA+ 2050 mostrou isso na prática: a taxa oferecida caiu de IPCA+ 7,33% ao ano para IPCA+ 7,24% ao ano em apenas três pregões (dias de negociação), e o preço unitário do título subiu de R$ 879,49 para R$ 897,48 — uma valorização de cerca de 2% em menos de uma semana, sem que o investidor tivesse feito nada além de continuar com o papel na carteira (dado do Tesouro Direto, compilado pelo Investidor10). Se as taxas tivessem subido em vez de cair, o movimento do preço seria o inverso.
O erro comum
O iniciante costuma achar que, por ser emitido pelo governo, o Tesouro nunca perde valor — confundindo risco de crédito (o emissor não pagar, que é baixo no Tesouro) com risco de preço (o título valer menos se vendido antes da hora, que existe sim). Outro erro é entrar em pânico e vender no primeiro dia de queda: quem segura o título prefixado ou o IPCA+ até o vencimento recebe exatamente a taxa combinada na compra, não importa o que a marcação a mercado fez no meio do caminho.