O que é
Juro nominal é a taxa que aparece no contrato, na tela do banco ou no folheto do título — o número cheio, sem desconto de nada. Juro real é o que sobra desse juro depois de descontar a inflação do período, ou seja, o quanto o seu poder de compra de fato aumentou. A diferença entre os dois separa o ganho verdadeiro da ilusão de ganho.
Como funciona na prática
Se um título rende 13% ao ano, essa é a taxa nominal. Se, nesse mesmo ano, os preços em geral subirem 5%, uma parte desse 13% só repôs o que a inflação corroeu do seu dinheiro; o restante é o ganho real. É como um reajuste salarial: um aumento de 10% parece ótimo, mas se o custo de vida também subiu 8% no período, o ganho real do seu salário foi bem menor do que os 10% anunciados.
Juros e inflação não se subtraem direto, porque um efeito se soma sobre o outro ao longo do tempo, não lado a lado. A conta correta, conhecida como equação de Fisher, é: divida (1 + juro nominal) por (1 + inflação do período) e subtraia 1. O resultado é o juro real.
Um exemplo com números
Em 16 de setembro de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic — a taxa básica de juros da economia — para 13,75% ao ano. No mesmo período, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, a medida oficial da inflação no Brasil, calculada pelo IBGE) acumulava 4,22% nos 12 meses até agosto de 2026, resultado divulgado em 11 de setembro de 2026.
Aplicando a conta de Fisher: (1,1375 ÷ 1,0422) − 1 ≈ 9,1% ao ano. Esse é, aproximadamente, o juro real embutido numa aplicação que rende perto da Selic nessa data — bem menor do que os 13,75% nominais, mas ainda um ganho real positivo. Se a inflação subisse para perto dos 13,75%, esse ganho real encolheria para perto de zero, mesmo com a taxa nominal intacta.
O erro comum
O erro mais comum é comparar taxas nominais de épocas diferentes como se fossem equivalentes. Um título que rendeu 8% ao ano numa época de inflação baixa pode ter entregado mais poder de compra real do que outro que rendeu 13% ao ano numa época de inflação alta. Olhar só para o número anunciado — "rende tanto por cento ao ano" — sem perguntar qual era a inflação naquele período é comparar coisas que não são comparáveis.