O que é
O Tesouro IPCA+ é um título público que paga duas coisas somadas: a variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o indicador oficial da inflação no Brasil) e uma taxa de juro fixa, definida no momento da compra. Ele pertence à família dos títulos atrelados à inflação, apresentada no Cap. 2 desta série.
Na prática, é como alugar um imóvel com reajuste anual pela inflação mais um valor fixo combinado: o aluguel nunca perde poder de compra, e ainda sobra um ganho real por cima.
Como funciona na prática
Quando você compra um Tesouro IPCA+, o governo se compromete a devolver o valor investido corrigido pela inflação do período, mais o juro fixo prometido. Esse juro fixo é chamado de juro real — assunto do próximo capítulo — porque representa o ganho que sobra depois de descontada a inflação.
Há duas datas que importam: o vencimento, quando o título paga tudo de uma vez, e o dia a dia, quando o preço do título oscila na tela por causa da marcação a mercado (Cap. 7). Quem compra e segura até o vencimento recebe exatamente a taxa combinada. Quem vende antes pode receber mais ou menos, dependendo do preço de mercado naquele momento.
Existem duas versões: o Tesouro IPCA+ tradicional, que paga tudo no vencimento, e o Tesouro IPCA+ com juros semestrais, que distribui parte do rendimento a cada seis meses — útil para quem quer complementar renda antes do fim do prazo.
Um exemplo com números
Em 11 de setembro de 2026, o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2032 pagava um juro real de 7,57% ao ano, a menor taxa em cinco meses, segundo dados de mercado. A queda veio de uma deflação (queda de preços) registrada pelo IPCA em agosto de 2026, que reduziu a expectativa de inflação futura embutida nas taxas.
Isso significa que, além de repor toda a inflação medida pelo IPCA até 2032, quem comprasse o título naquela data travava um ganho real de 7,57% ao ano por cima da inflação — desde que carregasse o papel até o vencimento.