O que é
O Tesouro Selic é um título público pós-fixado: você empresta dinheiro para o governo federal e recebe de volta a taxa Selic (a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Copom — Comitê de Política Monetária do Banco Central) acumulada durante o tempo em que ficou com o título. É como emprestar para alguém que paga exatamente o juro que o Banco Central está cobrando no mercado, nem mais, nem menos.
Como funciona na prática
Ao comprar o título, você entrega um valor ao Tesouro Nacional. Todos os dias, esse valor é corrigido pela Selic do período, então o saldo cresce de forma quase linear, sem sustos. Existe uma pequena taxa extra (positiva ou negativa) combinada no momento da compra, que faz o preço oscilar um pouco — mas o efeito é mínimo perto do que acontece com um título prefixado ou atrelado à inflação. O título tem liquidez diária: dá para vender de volta para o Tesouro a qualquer dia útil, com o dinheiro caindo na conta em até um dia útil depois (D+1). É como um empréstimo que você pode "cobrar de volta" quase a qualquer momento, sem multa.
Um exemplo com números
Em 14 de setembro de 2026, a Selic está em 14,00% ao ano, valor definido pelo Copom na reunião de 5 de agosto de 2026 (a próxima decisão sai em 16 de setembro). Um Tesouro Selic comprado hoje rende algo muito próximo disso, dia após dia, até o vencimento ou até o resgate. Vale um ponto de comparação importante: diferente do CDB (Certificado de Depósito Bancário), que conta com a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até o teto de R$ 250 mil por CPF e por instituição, o Tesouro não passa pelo FGC — a garantia é do Tesouro Nacional, ou seja, do próprio governo federal, considerado o devedor de menor risco do país porque é quem arrecada impostos e emite moeda.
O erro comum
O erro mais comum é achar que o Tesouro Selic "quase não rende" porque o extrato mostra um crescimento discreto dia a dia — e por isso deixar dinheiro parado na poupança ou na conta corrente, que rendem menos. O erro oposto também aparece: ao ver o preço do título cair um centavo em algum dia, o investidor estranha e acha que "o Tesouro Selic também quebrou", confundindo esse título com o Tesouro IPCA+ (corrigido pelo IPCA — Índice de Preços ao Consumidor Amplo, a inflação oficial do país) ou o Prefixado, que oscilam de verdade (assunto dos próximos capítulos). E tem quem pense que precisa do FGC para se sentir seguro, sem perceber que a garantia do governo federal já cobre o título integralmente, sem teto de valor.