O que é
Rating é uma nota de crédito. Agências especializadas — como S&P Global Ratings, Moody's e Fitch Ratings — avaliam a capacidade de um governo, banco ou empresa de pagar suas dívidas em dia, e resumem essa avaliação numa escala de letras, do "AAA" (risco mínimo) até níveis que indicam risco alto de calote.
Como funciona na prática
Cada agência tem sua própria escala, mas a lógica lembra a de uma escola: quanto mais alta a nota, menor o risco enxergado pelo analista que a atribuiu. Nas escalas da S&P e da Fitch, notas de "BBB-" para cima são chamadas de "grau de investimento" — o selo de que a dívida é considerada segura o suficiente para fundos de pensão e investidores mais conservadores. Abaixo disso, entra o "grau especulativo", onde o risco de não receber de volta é maior — e, para compensar, o título costuma pagar juro mais alto. A Moody's usa outra nomenclatura ("Aaa", "Ba1", "Baa3" etc.), mas o princípio é o mesmo. A nota não é eterna: as agências revisam o emissor de tempos em tempos e podem subir (upgrade) ou baixar (downgrade) a classificação conforme a situação fiscal, econômica ou de gestão muda.
Um exemplo com números
Em 1º de outubro de 2024, a Moody's elevou o rating do Brasil de "Ba2" para "Ba1", com perspectiva positiva — um degrau abaixo do grau de investimento nessa escala. Em 30 de maio de 2025, a mesma agência manteve a nota em "Ba1", mas revisou a perspectiva de positiva para estável. Já a S&P e a Fitch mantêm o Brasil em "BB", dois degraus abaixo do grau de investimento em suas respectivas escalas. As três agências concordam que o país vem pagando suas dívidas, mas nenhuma delas ainda classifica o Brasil como grau de investimento pleno — e isso ajuda a explicar por que o Tesouro brasileiro paga juro mais alto do que países com nota máxima, como Alemanha ou Estados Unidos.
O erro comum
O erro mais comum é tratar rating como garantia. Uma nota alta reduz a probabilidade de calote, mas não a zera — empresas com bom rating já quebraram, e alguns países já deram calote mesmo com nota razoável dias antes. Rating é uma opinião sobre risco, baseada em informações do passado e em projeções; não é promessa de pagamento, e muito menos garantia de que o preço do título não vai oscilar. Outro erro é ignorar a nota por completo e escolher só pela taxa oferecida: quanto maior o juro prometido, maior costuma ser o risco embutido — rating baixo incluído.