O que é
Risco de crédito é a chance de quem pegou seu dinheiro emprestado — um banco, uma empresa ou o governo — não conseguir devolver o que prometeu, seja o valor investido, seja os juros combinados. É a mesma lógica de emprestar dinheiro para um amigo: quanto menos confiança você tem na capacidade dele de pagar, maior o risco de não receber de volta.
Como funciona na prática
Todo título de renda fixa tem um emissor — o Tesouro Nacional, um banco ou uma empresa — que promete devolver o dinheiro, corrigido por uma taxa, numa data combinada. O risco de crédito aparece quando esse emissor passa por dificuldades financeiras e não tem caixa para pagar: é o chamado calote, ou inadimplência. Bancos que emitem CDB (Certificado de Depósito Bancário) contam com uma rede de proteção, o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) — uma entidade privada mantida pelos próprios bancos que reembolsa o investidor até um teto por CPF (Cadastro de Pessoa Física) e por instituição, caso o emissor quebre. Já em debêntures, CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) essa garantia não existe: se a empresa não pagar, o investidor entra na fila de credores e pode esperar anos para reaver o dinheiro, ou perder parte dele.
Um exemplo com números
Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, instituição que vinha oferecendo CDBs com taxas bem acima da média do mercado para atrair clientes. A partir dali, o FGC passou a reembolsar quem tinha CDB, LCI (Letra de Crédito Imobiliário) ou LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) na instituição, até o teto vigente de R$ 250.000 por CPF e por conglomerado financeiro — limite que segue valendo em 23 de setembro de 2026. Quem tinha valores acima desse teto precisou entrar na lista de credores do banco, processo que pode levar anos até uma eventual recuperação. O caso mostra, na prática, por que uma taxa muito acima da média costuma ser o preço que o emissor paga por ser mais arriscado, não um presente.
O erro comum
O erro mais comum é olhar só para a taxa oferecida e ignorar quem está do outro lado prometendo pagar. Um CDB com taxa muito mais alta que a de bancos grandes não é sorte: é o mercado precificando um risco maior de calote. Outro erro é achar que "renda fixa" significa "sem risco" — o nome se refere à forma de remuneração, combinada de antemão, e não à ausência de risco de crédito.