O que é
Debênture é um empréstimo que você faz para uma empresa, e não para um banco ou para o governo. Ao comprar uma debênture, você entrega dinheiro à empresa emissora e ela promete devolver esse valor, com juros, em datas combinadas.
Como funciona na prática
Uma empresa que precisa de dinheiro — para construir uma fábrica, comprar equipamentos ou trocar uma dívida cara por outra mais barata — pode pedir esse dinheiro ao mercado em vez de ir a um banco. Ela emite debêntures, isto é, títulos de dívida com um valor, um prazo e uma taxa definidos. Quem compra vira credor da empresa, não sócio: não tem direito a lucro nem a voto, só ao pagamento combinado.
A remuneração pode vir de três formas, as mesmas do Tesouro Direto: prefixada (uma taxa fixa, como 14% ao ano), pós-fixada (um percentual do CDI, o juro que os bancos cobram entre si) ou atrelada à inflação (IPCA — Índice de Preços ao Consumidor Amplo — mais um juro real). A empresa paga juros periódicos, chamados de cupons, e devolve o valor principal no vencimento ou em parcelas.
A diferença que mais pesa é o risco: debênture não tem garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), o seguro que cobre CDB e poupança até R$ 250 mil por instituição. Se a empresa quebrar, o investidor entra na fila de credores e pode não receber tudo — ou nada.
Um exemplo com números
Em 16 de setembro de 2026, o Copom (Comitê de Política Monetária) fixou a Selic em 13,75% ao ano — essa é a taxa que serve de referência para qualquer título de renda fixa, incluindo debêntures. Uma debênture comum costuma prometer um retorno acima do CDI ou da inflação justamente para compensar o risco de crédito que ela carrega e que o Tesouro não tem.
No Imposto de Renda, debêntures comuns seguem a tabela regressiva: 22,5% sobre o rendimento em resgates de até 180 dias, caindo para 20%, depois 17,5%, até 15% acima de 720 dias — mesma lógica do CDB. É diferente das debêntures incentivadas, isentas de IR, que veremos no próximo capítulo.
O erro comum
Muita gente compra debênture achando que funciona como CDB, com garantia do FGC embutida. Não tem. Outro erro é olhar só a taxa oferecida e ignorar quem é a empresa por trás — uma taxa mais alta quase sempre existe porque o risco de calote também é mais alto.