Focus reduz projeção de inflação a 5% e Ibovespa sobe a 189 mil pontos com dólar a R$ 5,08
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Focus reduz projeção de inflação a 5% e Ibovespa sobe a 189 mil pontos com dólar a R$ 5,08

O Boletim Focus divulgado nesta terça-feira reduziu a projeção de inflação para 2026 de 5,01% para 5%, enquanto o Ibovespa opera em alta de mais de 1,5%, aos 189 mil pontos, e o dólar cai a R$ 5,08 em meio ao avanço do "trade eleitoral".

O fato

O Boletim Focus divulgado nesta terça-feira (8) reduziu a projeção de inflação para 2026 de 5,01% para 5,00%, com o mercado também revisando a trajetória da Selic para 13,75% ao fim do ano, 12% em 2027 e 10,5% em 2028. No mesmo pregão, o Ibovespa opera em alta de 1,56%, aos 189 mil pontos por volta do meio-dia, enquanto o dólar comercial recua 0,93%, cotado a R$ 5,08, e os juros futuros cedem. O movimento reforça o chamado "trade eleitoral", impulsionado pela pesquisa Quaest que mostrou empate técnico entre Lula (42%) e Flávio Bolsonaro (41%) num eventual segundo turno.

Por que importa

A combinação de dois vetores explica o apetite por risco no pregão de hoje. Primeiro, a revisão para baixo da inflação no Focus abre espaço para o mercado working com um ciclo de cortes de juros mais consistente a partir de 2027, o que reduz o custo de capital e favorece ativos de risco. Segundo, a corrida eleitoral mais equilibrada é lida por parte do mercado como possibilidade de mudança na condução da política fiscal, o que historicamente comprime o prêmio de risco embutido no câmbio e nas taxas longas. É esse prêmio que vinha sustentando o dólar mais caro e os juros futuros mais altos nas últimas semanas — e que agora começa a ceder.

Quem reage

Entre as ações, sobem Vale (VALE3), Petrobras (PETR4), grandes bancos e varejistas, movimento que se traduz no BOVA11, ETF que replica o Ibovespa na B3. A queda do dólar tende a pressionar para baixo o retorno em reais de ativos dolarizados como o IVVB11 (S&P 500) e o NASD11 (Nasdaq), já que a valorização do real reduz o ganho cambial embutido nesses papéis. Do lado da renda fixa, o recuo dos juros futuros beneficia títulos prefixados e fundos de duration mais longa, sensíveis à trajetória esperada da Selic.

O que fica para o investidor

O mercado precifica hoje um cenário mais benigno para inflação e juros, mas a origem do movimento — uma pesquisa eleitoral e uma correção pontual do Focus — é volátil por natureza: qualquer mudança no quadro eleitoral ou uma nova piora na leitura fiscal pode reverter parte do ganho em poucos pregões. Os próximos pontos de atenção são a reunião do Copom em 15 e 16 de setembro, que deve confirmar ou não o ritmo de cortes, e a divulgação de novos dados de inflação nos Estados Unidos ainda esta semana, que também influenciam o fluxo de capital para mercados emergentes como o Brasil.

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