O fato
O payroll de agosto nos Estados Unidos, divulgado na sexta-feira (4/9), veio quase três vezes acima do esperado: 162 mil vagas criadas contra projeção de 56 mil do consenso Reuters. A taxa de desemprego ficou estável em 4,1%, dentro do previsto. No Brasil, o Ibovespa fechou a semana com alta de 5,4%, a melhor desde o início do ano, encerrando a sexta praticamente estável, aos 185.188 pontos, após 11 pregões seguidos de ganho. O dólar fechou a sexta cotado a R$ 5,13.
Por que importa
Um mercado de trabalho americano mais aquecido do que o esperado reduz o espaço para o Federal Reserve cortar juros — e no limite reabre a discussão sobre uma eventual alta. A probabilidade de manutenção da taxa entre 3,50% e 3,75% na reunião de 15 e 16 de setembro caiu de 50,6% para 41,6%, enquanto a chance de um aperto para a faixa de 3,75% a 4,00% subiu de 49,4% para 58,4%, segundo precificação de mercado. O reflexo apareceu na renda fixa americana: o rendimento do Treasury de 2 anos subiu a 4,372%, o maior nível desde janeiro de 2025. Juro mais alto nos EUA encarece o custo de capital global e tende a reduzir o apetite por ativos de risco em mercados emergentes — o oposto do que o Brasil viveu nesta semana.
Como a semana fechou
Em Nova York, o payroll pesou sobre as bolsas na sexta: S&P 500 recuou 0,16%, Dow Jones caiu 0,33% e Nasdaq cedeu 0,04% — para quem acompanha via ETF na B3, o IVVB11 reflete esse movimento do S&P 500. Já o Ibovespa, na contramão, viveu a melhor semana do ano, blindado por um fator local: pesquisas eleitorais mostrando o presidente Lula com vantagem reduzida sobre o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno em outubro. A leitura do mercado é que uma alternância de poder em Brasília melhoraria a trajetória fiscal, o que atraiu fluxo estrangeiro relevante para a bolsa e ajudou a segurar o real mesmo em uma sexta de dólar mais forte no exterior. Quem replica o índice via BOVA11 capturou o ciclo de 11 altas seguidas antes da pausa técnica de sexta.