O fato
O payroll de agosto, divulgado na sexta-feira, 4 de setembro, mostrou a criação de 162 mil vagas nos Estados Unidos — quase três vezes acima da expectativa de mercado, de 56 mil. A taxa de desemprego ficou estável em 4,1%, dentro do esperado. O resultado surpreendeu por vir num momento em que o mercado já projetava desaceleração do emprego americano, e mudou a leitura sobre o próximo passo do Federal Reserve.
Por que importa
Emprego forte demais também é problema para quem olha para juros. Mais vagas significam mais renda circulando e mais pressão de demanda sobre preços — e a inflação americana ainda roda acima da meta, em 3,4% na leitura de julho. Com esse payroll, as apostas de mercado para a reunião do Fed em 15 e 16 de setembro se deslocaram: a probabilidade de um novo aumento de juros, e não de um corte, saltou para 52%, contra uma leitura anterior de manutenção. É a mesma lógica de sempre — dado forte de emprego empurra a curva de juros americana para cima — só que desta vez na direção oposta à que o mercado vinha precificando havia meses.
Como a semana fechou
Wall Street reagiu no próprio dia: o Dow Jones fechou a sexta-feira em queda de 0,51%, o S&P 500 recuou 0,38% e o Nasdaq cedeu 0,29% — movimento que, na tradução para a B3, aparece em ETFs como IVVB11 (S&P 500) e NASD11 (Nasdaq). O dólar fechou a sexta a R$ 5,13, alta de 0,52% no dia, ainda que a moeda tenha recuado 1,26% no acumulado da semana ante o real. O Bitcoin caiu 2% em poucos minutos, no horário exato da divulgação do dado — reação visível em HASH11 e QBTC11. Já o Ibovespa fechou a sexta praticamente estável, com queda marginal de 0,02%, a 185.147 pontos, mas encerrou a semana com ganho de — a melhor semana desde janeiro, refletida no BOVA11.