O fato
A presidente do Fed de Boston, Susan Collins, escreveu nesta terça-feira, em publicação no LinkedIn, que apoiou o aumento de 0,25 ponto percentual nos juros americanos decidido pelo Federal Reserve na semana passada, levando a taxa básica para a faixa de 3,75%-4,00%. Collins afirmou ver risco maior de a inflação ficar "perceptivelmente acima" da meta de 2% e sinalizou apoio a mais uma alta de juros ainda em 2026, com a taxa devendo permanecer nesse patamar mais restritivo ao longo de 2027. Ela citou a inflação persistente e a retomada do conflito no Oriente Médio em agosto como fatores que pesaram na decisão.
No Brasil, o Banco Central divulgou hoje, às 8h, a ata da reunião do Copom que cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, em 15 e 16 de setembro. O texto manteve tom cauteloso, reforçando a necessidade de gestão cuidadosa da política monetária mesmo diante de sinais de desaceleração da atividade.
Por que importa
O recado do Fed inverte a leitura que vinha dominando o mercado nas últimas semanas: em vez de sinalizar o fim do ciclo de aperto, a autoridade americana abre espaço para mais uma alta e para juros mais altos por mais tempo. Isso sustenta o dólar forte globalmente e reduz o apetite por ativos de risco em mercados emergentes, na contramão do que o Brasil está fazendo — o Copom segue em ciclo de corte, ainda que cauteloso.
Essa divergência de política monetária é o mecanismo central: quanto menor a diferença entre o juro americano e o juro brasileiro, menos atrativo fica o carrego de capital estrangeiro para cá, o que pressiona o câmbio e o fluxo para a bolsa local. A ata do Copom, ao repetir a cautela mesmo após o corte, indica que o Banco Central também está de olho nesse cenário externo mais apertado.
Quem reage
O dólar comercial opera em alta de 0,42%, cotado a R$ 5,12 por volta do meio-dia. O Ibovespa recua 0,66%, aos 185,3 mil pontos, pressionado por Petrobras, Vale e os grandes bancos. Os juros futuros (DI) avançam ao longo da curva, repercutindo tanto a ata do Copom quanto o tom mais duro do Fed.