O fato
O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (21) mostra o mercado elevando a projeção de inflação para 2026: o IPCA esperado subiu de 4,90% para 4,92%. Na direção oposta, a aposta para a Selic no fim do ano recuou de 13,75% para 13,50%, e a projeção de crescimento do PIB caiu de 1,89% para 1,88%. A estimativa para o dólar ficou estável em R$ 5,20. O levantamento sai uma semana após o Copom cortar os juros pela quinta vez seguida, para 13,75% ao ano, em 16/09 — queda acumulada de 1,25 ponto percentual desde março, no que o Banco Central chama de "ciclo de calibração". A próxima decisão de juros é em 4 de novembro.
Por que importa
O recado do Focus é direto: o mercado segue apostando em pelo menos mais um corte de juros até dezembro, mesmo com o IPCA projetado acima do teto da meta de inflação (3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo). Isso mantém o juro real brasileiro entre os mais altos do mundo, condição que segue atraindo capital estrangeiro para a renda fixa local e explica por que o corte de juros, mesmo gradual, tende a favorecer ativos de risco: crédito mais barato pela frente melhora a margem de empresas e o valuation da bolsa.
Quem reage
Por volta das 10h desta segunda, o Ibovespa operava em alta de 0,11%, aos 185.410 pontos — movimento capturado pelo BOVA11, ETF que replica o índice na B3. O dólar à vista recuava 0,65%, cotado a R$ 5,1077, câmbio que reduz em reais o custo de ETFs internacionais como o IVVB11 (S&P 500) e o NASD11 (Nasdaq). Pesa também no humor do mercado a pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada hoje, mostrando Lula (PT) com 40% das intenções de voto no primeiro turno contra 37% de Flávio Bolsonaro (PL), à frente também em cenário de segundo turno. Lá fora, o petróleo cedia e as bolsas globais avançavam com otimismo em torno de inteligência artificial.