Trump taxa Estreito de Ormuz em 20%, e petróleo dispara a maior nível em um mês
Antes do Pregão

Trump taxa Estreito de Ormuz em 20%, e petróleo dispara a maior nível em um mês

Pedágio de 20% anunciado por Trump no Estreito de Ormuz leva Brent a mais de US$ 86 e pressiona ativos de risco antes do CPI americano das 9h30.

O que move os mercados nesta manhã

O petróleo é o protagonista da manhã. O Brent opera acima de US$ 86,50 (+3,89%) e o WTI perto de US$ 80,35 (+2,83%), no maior patamar em um mês, depois que Donald Trump anunciou um pedágio de 20% sobre toda carga que passar pelo Estreito de Ormuz e a retomada do bloqueio naval ao Irã — rota por onde passa mais de um quarto do petróleo transportado por mar no mundo. A Organização Marítima Internacional já contestou a legalidade da medida, mas o mercado precificou o risco: o barril acumula alta de quase 14% em dois pregões.

Na Ásia, o quadro ficou misto: o Nikkei fechou em queda, pressionado por realização de lucros em tecnologia, enquanto o Hang Seng subiu 0,1% após a China divulgar PIB do 2º trimestre de +6,3% ao ano — acima do trimestre anterior, mas abaixo dos 7,0% esperados pelo mercado. As exportações chinesas de junho saltaram 27%, para US$ 412,4 bilhões, com superávit comercial recorde de US$ 125,6 bilhões. Na Europa, o tom é defensivo: o Ibex 35 recua 0,3%, refletindo a cautela diante da escalada no Oriente Médio. Nos futuros de Nova York, o quadro está dividido: Dow e S&P 500 cedem levemente (-0,3% e -0,2%), enquanto o Nasdaq 100 sobe 0,2% — o mercado aguarda o CPI americano antes de definir direção.

Como fechou o último pregão

O Ibovespa encerrou ontem (13/07) em queda de 1,20%, aos 175.739 pontos, com volume de R$ 19,2 bilhões, acompanhando a piora do apetite por risco global em meio à escalada Estados Unidos–Irã. O dólar avançou 0,46%, para R$ 5,1314. Petrobras, Prio e PetroReconcavo fecharam entre as maiores altas, beneficiadas pelo salto do petróleo. Nos Estados Unidos, o rendimento da Treasury de 10 anos segue perto de máximas de dois meses, em 4,62%, com o tom mais duro do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, sustentando apostas de juros mais altos por mais tempo. O índice DXY do dólar está estável, em torno de 100,93 pontos.

Agenda do dia

O evento central é o CPI americano de junho, às 9h30 (BRT) — projeção de queda de 0,1% no mês e alta de 3,8% no acumulado de 12 meses, com núcleo estável em 2,9%. Às 10h, Christine Lagarde discursa pelo BCE, e Kevin Warsh segue com depoimentos no Congresso americano. Às 17h, o Tesouro dos EUA divulga fluxos líquidos de capital estrangeiro (TIC); às 17h30, o instituto API traz o balanço semanal de estoques de petróleo bruto — dado sensível dado o cenário em Ormuz.

A leitura para o portfólio

A manhã é de viés risk-off, puxado por geopolítica e petróleo, não por dado macro ainda. Isso tende a pressionar o BOVA11 na abertura, na esteira da queda de ontem e do câmbio mais depreciado. O IVVB11 e o NASD11 devem abrir sem direção única, reféns do CPI das 9h30 — uma leitura de inflação mais quente reforça o risco de juros altos por mais tempo nos EUA e tende a pesar sobre tecnologia. Com o barril em alta firme, ativos ligados a energia ganham espaço na leitura setorial da B3, enquanto o GOLD11 tende a se beneficiar como proteção contra o risco geopolítico, ainda que os juros altos limitem o fôlego do metal. Fica para observar: qualquer sinal de desescalada em Ormuz muda o humor do dia tão rápido quanto o anúncio que o gerou.

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