Confronto EUA-Irã se agrava no fim de semana, petróleo salta 4% e futuros dos EUA recuam nesta segunda
Antes do Pregão

Confronto EUA-Irã se agrava no fim de semana, petróleo salta 4% e futuros dos EUA recuam nesta segunda

Novos ataques dos EUA ao Irã no fim de semana e a retaliação da Guarda Revolucionária contra bases americanas no Kuwait e Bahrein reacendem o risco geopolítico no Estreito de Ormuz, derrubando os futuros em Nova York nesta segunda-feira, mesmo após o Ibovespa fechar sexta-feira no maior nível desde maio.

O que move os mercados nesta manhã

O fim de semana reacendeu a guerra entre Estados Unidos e Irã. O Comando Central americano confirmou que forças dos EUA concluíram no domingo uma nova onda de ataques contra alvos iranianos, e a Guarda Revolucionária do Irã respondeu nesta segunda atacando bases americanas no Kuwait e no Bahrein. A trégua frágil que vinha sustentando o mercado desde o fim de fevereiro está rompida. O petróleo sobe mais de 4% com o risco sobre o Estreito de Ormuz — apenas seis navios cruzaram a via marítima no domingo, o menor volume diário em cinco semanas, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo e GNL comercializados no mundo.

O nervosismo já aparece nos futuros em Nova York: contratos do S&P 500 recuam 0,51% e os do Nasdaq 100 cedem 1,24%, com apenas 22% de probabilidade implícita de abertura positiva para o S&P 500. Na Ásia, o Kospi abriu em queda, arrastado pelo tombo de mais de 12% da SK Hynix — realização de lucro após a estreia da ADR da companhia na Nasdaq na sexta-feira, quando os papéis chegaram a saltar 13%. O ouro, na contramão do padrão de fuga para segurança, cai mais de 1%, pressionado pelos juros mais altos dos Treasuries e por um dólar que segue sustentado: dados do Tesouro americano (TIC) desta manhã devem mostrar fluxo estrangeiro de longo prazo em torno de US$ 128,5 bilhões, num momento em que o mercado já precifica como mais provável uma alta de juros do Fed do que um corte até o fim do ano — guinada hawkish que Kevin Warsh, novo presidente do Fed, vem sinalizando desde que assumiu o cargo em maio.

Como fechou o último pregão

Na sexta-feira, o Ibovespa disparou 2,97%, a 177.866 pontos — maior nível de fechamento desde 14 de maio —, terceira semana seguida de alta (+2,18% na semana), com volume de R$ 24,99 bilhões. O impulso veio do IPCA de junho, que surpreendeu para baixo e reforçou a aposta de novo corte da Selic em agosto. O dólar recuou a R$ 5,10.

Agenda do dia

No Brasil, o Banco Central divulga pela manhã o Boletim Focus, com as projeções do mercado para inflação, Selic, câmbio e PIB. Na Ásia e Europa, a agenda de indicadores está mais fraca hoje. Amanhã (terça), o mercado já vira a atenção para o CPI de junho nos EUA e para a abertura da temporada de balanços dos grandes bancos americanos — Citigroup, JPMorgan, Goldman Sachs, Wells Fargo e Bank of America.

A leitura para o portfólio

O tom da manhã é de aversão a risco: escalada militar no Golfo, petróleo em alta e um Fed mais hawkish sob Warsh formam a combinação que tende a pressionar ativos de risco na abertura. O viés é negativo para IVVB11 e, com mais intensidade, para NASD11, dado o recuo mais acentuado dos futuros de tecnologia e o soluço da cadeia asiática de semicondutores. Para o BOVA11, o desempenho de sexta-feira dá um colchão, mas o humor externo deteriorado tende a limitar o ímpeto da abertura. Vale observar também o GOLD11: o ouro não está funcionando como proteção clássica nesta manhã, movido mais pelos juros e pelo dólar do que pelo risco geopolítico — um sinal de que o mercado ainda lê o cenário mais pela política monetária do que pelo conflito.

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