O que aconteceu hoje
O Departamento do Trabalho dos EUA divulgou nesta sexta-feira o relatório de emprego referente a junho de 2026 com resultado significativamente abaixo das estimativas. A economia americana gerou 57 mil vagas não-agrícolas no mês, frente a uma projeção de consenso de 115 mil e à criação revisada de 129 mil postos em maio. A taxa de desemprego recuou marginalmente para 4,2%, mas o movimento refletiu queda na participação da força de trabalho — que atingiu 61,5%, o menor patamar desde março de 2021. Os ganhos médios por hora avançaram 0,3% no mês e 3,5% em doze meses, em linha com o esperado.
Como chegamos aqui
O mercado de trabalho norte-americano vinha sinalizando desaceleração gradual ao longo de 2026. Em maio, a criação de vagas foi revisada de forma expressiva, e os setores de lazer e hospitalidade registraram perda de 61 mil postos em junho — resultado atribuído a contratações sazonais abaixo do padrão histórico. As revisões acumuladas de abril e maio somam –74 mil vagas, ampliando o quadro de enfraquecimento. O pano de fundo é complexo: o novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh (empossado em maio de 2026), adotou postura hawkish diante de uma inflação em nível de três anos. Com os juros na faixa de 3,50%–3,75%, o Fed enfrentava a difícil equação entre persistência inflacionária e sinais de esfriamento do emprego.
O impacto na economia e nos mercados
O relatório fraco alivia a principal pressão sobre o Fed para elevar juros na reunião de setembro. Segundo o CME FedWatch, a probabilidade de ao menos um aumento até setembro recuou de 65% para cerca de 50% nos minutos após a divulgação. Nos mercados, o efeito foi imediato: o S&P 500 opera em alta de 0,4% e o Dow Jones avança 0,5% (aproximadamente 246 pontos) nesta sessão. O rendimento do Treasury de 2 anos — o vencimento mais sensível às expectativas de política monetária — opera em queda de , para ao ano. O ouro ultrapassa a marca de . Para o Brasil, a menor probabilidade de alta dos juros nos EUA reduz pressão cambial: o dólar opera em torno de , numa sessão de menor aversão a risco para emergentes. A B3 reflete o ambiente externo mais benigno.