O que aconteceu hoje
O Departamento do Trabalho dos EUA divulgou, nesta quarta-feira (2), o relatório de empregos não agrícolas (payrolls) referente a junho de 2026. A economia americana criou apenas 57 mil vagas no mês — bem abaixo das 110 mil projetadas pelo mercado e das 129 mil de maio (já revisadas para baixo). É o menor ganho mensal de empregos em quatro meses consecutivos.
O setor de lazer e hospitalidade retraiu 61 mil postos, resultado em parte atribuído às distorções sazonais provocadas pela Copa do Mundo da FIFA, sediada nos EUA, Canadá e México desde junho. No lado positivo, serviços profissionais adicionaram 36 mil vagas, saúde 22 mil e assistência social 25 mil.
O resultado veio um dia após o relatório ADP apontar geração de 98 mil empregos no setor privado em junho — também abaixo das 118 mil esperadas —, sinalizando que o arrefecimento do mercado de trabalho estava se confirmando.
Como chegamos aqui
Desde que Kevin Warsh assumiu a presidência do Federal Reserve em junho de 2026, o banco central americano opera num equilíbrio delicado: a taxa de referência foi mantida na faixa de 3,50%–3,75% na reunião de estreia de Warsh (17 de junho), mas o novo chair abandonou o forward guidance explícito — o Fed passou a ser mais reativo e menos telegráfico sobre seus próximos passos.
Na véspera, no Fórum do Banco Central Europeu em Sintra (Portugal), Warsh reforçou que a inflação está "alta demais" e prometeu perseguir a meta de 2% com firmeza, frustrando quem apostava numa postura mais leniente. O PCE (medida de inflação preferida do Fed) é projetado em 3,6% para 2026 — ante 2,7% estimado em março —, salto em grande parte explicado pelo choque de energia decorrente do conflito no Oriente Médio, que levou o barril do Brent próximo de no auge e recuou para cerca de após o cessar-fogo EUA-Irã de 17 de junho.