O fato
O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos subiu 0,4% em agosto e acumula 3,4% em 12 meses, em linha com o consenso de mercado. O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, avançou 0,3% no mês e 2,4% no ano. É o último dado inflacionário antes da reunião do Federal Reserve nos dias 15 e 16 de setembro, e elevou para cerca de 70% a probabilidade — segundo a ferramenta CME FedWatch — de uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros americanos, hoje na faixa de 3,50%-3,75% ao ano.
No mesmo dia, o IBGE confirmou que o IPCA de agosto teve deflação de 0,32%, a maior queda de preços em quatro anos e a primeira deflação em 12 meses desde agosto de 2025. O acumulado em 12 meses recuou a 4,22%. O resultado veio puxado pela eletricidade residencial, que caiu 7,63% com a concessão do Bônus Itaipu, além de quedas em transportes (-0,86%) e alimentação (-0,34%).
Por que importa
Os dois números caminham em direções opostas e colocam Fed e Copom em rotas diferentes na mesma semana. Nos EUA, a resiliência da inflação ao consumidor — puxada por um mercado de trabalho ainda aquecido e por custos de produção em alta — sustenta a leitura de que o Fed tem espaço para apertar a política monetária, e não afrouxá-la, revertendo o discurso dominante nos últimos ciclos.
No Brasil, a combinação de choque de oferta (energia mais barata) com atividade em desaceleração reforça o espaço para o Copom cortar a Selic em 0,25 ponto, para 13,75% ao ano, na reunião da próxima semana. O contraste importa porque juro americano mais alto tende a fortalecer o dólar globalmente e a reduzir o apetite por ativos de mercados emergentes — justamente no momento em que o Brasil caminha para juros mais baixos.
Quem reage
O Ibovespa opera em queda de cerca de 0,4%, próximo aos por volta das 10h14, revertendo parte do forte ganho da véspera. O dólar à vista sobe, negociado perto de , refletindo o dólar mais forte no mundo todo com a aposta de aperto do Fed. Na curva de juros futuros brasileira, os contratos mais longos recuam com a deflação do IPCA, enquanto o mercado acionário de Nova York opera perto da estabilidade à espera da decisão do Fed.