Cessar-fogo entre EUA e Irã "acabou", diz Trump: petróleo salta 6% e Wall Street recua antes da ata do Fed
Antes do Pregão

Cessar-fogo entre EUA e Irã "acabou", diz Trump: petróleo salta 6% e Wall Street recua antes da ata do Fed

Declaração de Trump na cúpula da OTAN derruba a trégua com o Irã horas depois de ataque dos EUA a mais de 80 alvos iranianos; Brent sobe a US$ 78,93 e futuros de Nova York operam no vermelho nesta manhã, com a ata do FOMC no radar às 15h.

O que move os mercados nesta manhã

O gatilho da manhã é geopolítico: o presidente Donald Trump afirmou, à imprensa na cúpula da OTAN em Ancara, que o cessar-fogo com o Irã está "acabado" — horas depois de o Comando Central dos EUA (CENTCOM) confirmar ataques a mais de 80 alvos em território iraniano durante a madrugada, incluindo redes de comando, radares costeiros e embarcações da Guarda Revolucionária. Washington também revogou a isenção que permitia ao Irã voltar a exportar petróleo. A reação foi imediata: o Brent salta 6,4%, a US$ 78,93 o barril, e o WTI sobe 6,5%, a US$ 74,99, ambos por volta das 5h (horário de Nova York). Os futuros de Wall Street operam no vermelho. Na Ásia, o quadro é misto — Nikkei recua 0,3%, a 68.077,69 pontos, e o Kospi despenca 2,9% pressionado por Samsung e tecnologia, enquanto Hang Seng sobe 2,4%, a 24.057,24 pontos, e o Xangai Composto avança 0,5%, a 4.011,05 pontos. Na Europa, os principais índices recuam na abertura, repercutindo o mesmo temor de escalada.

Como fechou o último pregão

Na terça-feira (7/7), o Ibovespa encerrou em queda de 0,25%, aos 172.020,68 pontos, já sob pressão da tensão prévia entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz, com volume financeiro de R$ 20,67 bilhões. O dólar subiu e fechou cotado a R$ 5,15. Em Nova York, o petróleo já vinha em alta antes da escalada desta madrugada: o WTI fechou a US$ 70,44 (+2,76%) e o Brent a US$ 74,16 (+3,01%). Na contramão, o ouro recuou 0,24%, a US$ 4.157,40 a onça-troy, pressionado pela alta dos rendimentos dos Treasuries às vésperas da ata do Federal Reserve.

Agenda do dia

O evento central é a divulgação da ata da reunião do FOMC de 16 e 17 de junho, às 15h (horário de Brasília) — o mercado busca sinais sobre o ritmo dos cortes de juros nos EUA para o segundo semestre. No Brasil, o IBGE divulga a Pesquisa Mensal de Comércio (vendas no varejo), pela manhã. O desenrolar da crise Irã-EUA segue como o principal fator de risco a monitorar ao longo do pregão.

A leitura para o portfólio

O viés desta manhã é claramente risk-off: escalada militar, petróleo em forte alta e futuros de Nova York negativos tendem a pressionar o BOVA11 e o IVVB11 na abertura, com o NASD11 mais exposto à correção de tecnologia que já pesou sobre a Ásia durante a noite. O salto do petróleo é uma faca de dois gumes para o Ibovespa: pressiona o índice pelo canal de risco global, mas favorece o peso de Petrobras na cesta — histórico que ajudou a conter perdas maiores no pregão de ontem. O GOLD11 merece atenção dupla: o metal fechou em queda ontem por causa dos juros mais altos dos Treasuries, mas a escalada geopolítica é o tipo de gatilho que historicamente reacende a procura por proteção. Com a ata do Fed à tarde somando-se à crise no Oriente Médio, a tendência é de volatilidade elevada ao longo do dia — o investidor faz bem em acompanhar o desenrolar da fala de Trump e o comportamento do petróleo como termômetros da abertura.

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