O que ficou da semana
Sexta-feira teve pouco a dizer: as bolsas dos EUA nem abriram, com o feriado de 4 de julho — que cai num sábado — antecipado para o dia 3. A liquidez encolheu no mundo todo, e a B3 fechou a semana sozinha: o Ibovespa terminou em alta de 0,64%, aos 172.787 pontos, com volume financeiro magro de R$ 19,6 bilhões. O dólar recuou 0,04%, a R$ 5,208.
Na semana encurtada, Wall Street andou forte: o S&P 500 subiu 1,8%, o Dow Jones quase 2% e o Nasdaq 2,1%, embalados pelo alívio geopolítico do cessar-fogo entre EUA e Irã. Mas o dado que vai dominar a conversa da semana que começa saiu na quinta: o payroll de junho criou apenas 57 mil vagas, bem abaixo das 114 mil esperadas, com revisão para baixo de 74 mil postos em abril e maio. O desemprego recuou a 4,2%. Mesmo assim, o Fed manteve os juros em 3,50%–3,75% na reunião de 17 de junho — a primeira sob Kevin Warsh — com discurso mais duro e sem sinalizar corte.
O petróleo fechou a semana em US$ 68,76 o barril (WTI) e perto de US$ 72 (Brent), com o Estreito de Ormuz normalizando o fluxo de navios após o acordo EUA-Irã. O ouro, na última referência disponível (quinta-feira, já que sexta não teve pregão nos EUA), fechou em US$ 4.125,70 a onça. No Brasil, o fluxo de capital estrangeiro na B3 encerrou o primeiro semestre no melhor nível desde 2022.
A agenda que importa
Segunda (6), 11h (BRT): ISM de serviços dos EUA de junho — primeiro termômetro do setor de serviços americano após o payroll fraco, com o mercado projetando desaceleração no índice cheio mas melhora no subíndice de emprego.
Quarta (8), 15h (BRT): ata do Fed, referente à reunião de 17 de junho — a primeira sob Kevin Warsh. É o evento da semana: o texto deve mostrar o grau de divisão do comitê e o quanto o novo presidente está disposto a segurar juros altos mesmo com o mercado de trabalho perdendo fôlego.
Sexta (10), pela manhã: IPCA de junho (IBGE) — última leitura de inflação antes do Copom de 28 e 29 de julho, com o mercado esperando número mais benigno com a dissipação dos choques de petróleo e alimentos. (Quinta, 9, é feriado na cidade de São Paulo, mas a B3 opera normalmente.)
Os temas em aberto
Fed pós-Warsh. Juros mantidos, mas a comunicação perdeu passagens que indicavam viés de corte — sinal de um Fed mais cauteloso mesmo com desemprego subindo. A ata de quarta é o teste real desse tom.
Irã-EUA. O cessar-fogo segue de pé, mas a próxima rodada de negociação sobre desnuclearização foi adiada até depois do funeral do ex-líder supremo Ali Khamenei, que se estende até 9 de julho, com sepultamento em Mashhad. O Goldman Sachs projeta as exportações do Golfo normalizadas a níveis pré-guerra até o fim de julho.
Selic elevada. Sem reunião do Copom nesta semana (a próxima é em 28 e 29 de julho), o Boletim Focus mais recente elevou a projeção da Selic para o fim de 2026 a 13,75%, ante 13,50% na pesquisa anterior — sinal de que o mercado empurrou o ciclo de corte para mais à frente.
A leitura para o portfólio
A tensão da semana é entre payroll fraco e Fed duro — e isso se transmite direto a IVVB11 e NASD11: juro americano resistindo a cair sustenta o dólar forte, mesmo com o mercado de trabalho mostrando fadiga. No Brasil, o fluxo estrangeiro recorde no semestre segue como suporte para BOVA11, mas o IPCA de sexta é o gatilho — uma leitura muito abaixo do esperado reforça a tese de corte de Selic mais à frente. A normalização de Ormuz tira parte do prêmio de risco geopolítico do petróleo, o que tende a esfriar o apetite por posições ligadas à commodity. Em GOLD11, juro real americano ainda elevado é um contraponto ao apoio que o metal recebe da incerteza geopolítica — a guerra na Ucrânia já passa de 4 anos e 3 meses sem sinal de desfecho. Em cripto, o bitcoin operou perto de US$ 62.666 no fim de semana, leve queda de 0,14% em 24 horas — termômetro inicial para HASH11/QBTC11 na reabertura.
---
Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Analista responsável: CNPI Nº 261 — Solis Research Ltda.