O que move os mercados nesta manhã
A tensão entre Estados Unidos e Irã domina a manhã depois de Donald Trump declarar "encerrado" o memorando que sustentava o cessar-fogo entre os dois países, ameaçando retomar o bloqueio naval no Estreito de Ormuz — rota de cerca de um quinto do petróleo negociado no mundo, onde o tráfego de navios-tanque "praticamente parou", segundo a Rystad Energy. O Brent, que já subira 5,2% ontem, avança mais até 1,5% nesta manhã e ultrapassa US$ 79 o barril, maior nível desde o acordo de cessar-fogo de junho; o WTI opera perto de US$ 74. Mesmo sob esse pano de fundo, a Ásia amanheceu em recuperação: Kospi sul-coreano salta 2,88% um dia depois de entrar em bear market, Nikkei sobe 1,88% puxado por semicondutores, e Hang Seng opera em leve alta — só a bolsa australiana destoa, com queda de 0,69%. Nos futuros de Nova York, S&P 500, Nasdaq 100 e Dow Jones (+70 pontos) sobem moderadamente, sinalizando recuperação parcial após as perdas de ontem.
Como fechou o último pregão
Wall Street fechou ontem em compasso misto: Dow Jones recuou 1,09%, a 52.347 pontos; S&P 500 caiu 0,28%, a 7.482 pontos; Nasdaq subiu 0,20%, a 25.870 pontos, sustentado por tecnologia ligada a inteligência artificial. A Treasury de 10 anos avançou a 4,60%, maior patamar desde maio, com o mercado elevando para 70% (ante 58% na véspera) a probabilidade de nova alta de juros do Fed em setembro. O ouro fechou em queda, pressionado pelo avanço simultâneo de juros e dólar. No Brasil, o Ibovespa cedeu 0,80%, a 170.653 pontos, em meio à aversão a risco global e ao temor de juros altos por mais tempo. O dólar fechou praticamente estável, a R$ 5,15 (-0,1%), com a alta do petróleo dando algum suporte ao real.
Agenda do dia
No Brasil, sai às 8h00 a prévia de julho do IGP-M. Nos EUA, o Departamento do Trabalho divulga às 9h30 os pedidos de seguro-desemprego (projeção de 218 mil iniciais e 1,82 milhão continuados); às 10h00, John Williams, do Fed de Nova York, discursa em meio à escalada geopolítica; às 11h00, saem as vendas de imóveis usados.
A leitura para o portfólio
O viés da manhã é de risco-off moderado, com o mercado precificando prêmio geopolítico sobre o petróleo e vigilância redobrada sobre a trajetória de juros nos EUA. Treasuries mais altas e dólar firme tendem a manter pressão sobre ativos de risco emergentes na abertura — atenção ao comportamento esperado do BOVA11, ainda sob influência do fechamento negativo de ontem. O salto do petróleo é o dado com maior potencial de repercussão no pregão local, favorecendo papéis ligados à cadeia de energia, enquanto o recuo do ouro tira força relativa do GOLD11 no curto prazo. Lá fora, a recuperação dos futuros de Nova York e o rali de semicondutores na Ásia são sinais a monitorar para o IVVB11 e o NASD11, ainda que o discurso de Williams e os dados de emprego possam reprecificar as apostas do Fed antes da abertura da B3.
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Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Analista responsável: CNPI Nº 261 — Solis Research Ltda.