O que ficou da semana
O Ibovespa fechou a sexta-feira (30) em 167.921,80 pontos, queda de 0,75% — o quinto pregão seguido no vermelho —, e encerrou outubro com perda de 9,88%, o piso mensal desde junho de 2022. O dólar subiu 1,05% no dia, para R$ 5,44, acumulando alta de 9,04% na semana. O gatilho foi o resultado das urnas: Lula foi reeleito no segundo turno de domingo (25) com 51,79% dos votos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, revertendo a desvantagem do primeiro turno. O mercado também carrega o recado do Fed: na quarta (28), o comitê manteve os juros entre 3,75% e 4,00%, em votação de 10 a 2 — com Lisa Cook e Beth Hammack defendendo elevar a taxa —, dando sequência a um ciclo que já teve alta em setembro, a primeira do banco central americano desde 2023.
A agenda que importa
O Copom decide a Selic na quarta (4), às 18h30, na primeira reunião desde a eleição presidencial. A taxa está em 13,75% e o mercado, via opções da B3, precificava manutenção como cenário mais provável. Na terça (3), os Estados Unidos realizam as eleições de meio de mandato, que definem o controle da Câmara e do Senado a partir de 2027. Na sexta (6), saem o payroll de outubro e o índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan — dados que alimentam a aposta do mercado em nova alta do Fed em dezembro. Completam a semana discursos de dirigentes do Fed (Goolsbee na segunda, Logan na quinta, Williams na sexta) e os balanços do Itaú (ITUB4) e BB Seguridade (BBSE3), na terça, e do Bradesco (BBDC4), na quarta.
Os temas em aberto
A reação do câmbio e da bolsa à reeleição ainda está em curso, e a decisão do Copom na quarta é o primeiro termômetro de como o Banco Central lê o ambiente fiscal pós-eleitoral. No campo externo, o Fed sob Kevin Warsh mantém tom mais duro do que o esperado meses atrás: a dissidência pedindo alta e a pressão da inflação americana mantêm viva a hipótese de novo aperto em dezembro, o que sustenta um dólar global forte. Nos EUA, as eleições de terça devem produzir um Congresso mais dividido — historicamente lido pelo mercado como fator de menor risco de mudanças abruptas de política, ainda que sem efeito prático até a posse da nova legislatura, em janeiro.