Trégua no Irã leva Wall Street à maior alta em semanas; Copom inicia hoje decisão sobre a Selic
Antes do Pregão

Trégua no Irã leva Wall Street à maior alta em semanas; Copom inicia hoje decisão sobre a Selic

Wall Street fechou ontem com ganhos superiores a 1% em todos os índices após Trump suspender ataques planejados contra o Irã, movimento que derrubou o petróleo. Nesta terça, mercados digerem a intervenção conjunta e inédita desde 2011 entre EUA e Japão para sustentar o iene, enquanto o Copom inicia a reunião que deve definir mais um corte de 0,25 ponto na Selic, hoje em 14,25% ao ano.

O que move os mercados nesta manhã

A Ásia amanheceu majoritariamente negativa mesmo depois do rali de Wall Street: o Nikkei recuou 0,6%, a 63.369,85 pontos, e o Hang Seng cedeu 0,5%, a 25.881,99 pontos, com investidores digerindo a intervenção conjunta entre Estados Unidos e Japão no mercado de câmbio — a primeira ação coordenada desde 2011. O iene, que havia furado a marca de 163 por dólar (mínima em 40 anos), voltou para abaixo de 160 depois que o Japão pode ter usado até US$ 36,58 bilhões na compra da própria moeda. Na Europa, o clima é de alta: o DAX sobe 0,4%, a 26.142 pontos, o CAC 40 avança 1,2%, a 8.613 pontos, e o Ibex 35 supera pela primeira vez na história a marca de 20.000 pontos. Futuros em Nova York operam no positivo e o petróleo Brent recupera parte do tombo da véspera, com alta de 0,80%, a US$ 84,44 o barril.

Como fechou o último pregão

Wall Street encerrou segunda-feira em forte alta: o S&P 500 subiu 1,48%, a 7.600,50 pontos; o Dow Jones avançou 1,32%, a 53.178,41 pontos; e o Nasdaq saltou 2,13%, a 25.913,90 pontos, puxado por techs após Donald Trump suspender ataques planejados contra o Irã — decisão que derrubou o petróleo para perto das mínimas de semanas. O Ibovespa fechou estável, aos 178.000,24 pontos, zerado no mês, com perdas de Vale e Petrobras compensadas pelos bancos. O dólar subiu 0,38% ante o real, a R$ 5,0877, ainda no radar da intervenção EUA-Japão no iene (no ano, a moeda segue com queda acumulada de 7,31%). O rendimento da Treasury de 10 anos recuou a 4,70%. O ouro fechou praticamente estável, com leve baixa de 0,07%, a US$ 4.015,90 a onça-troy, mantendo-se acima do patamar psicológico de US$ 4 mil mesmo com juros longos e dólar em alta.

Agenda do dia

O Copom inicia hoje a reunião de dois dias — a decisão sobre a Selic sai amanhã à noite, com o mercado precificando mais um corte de 0,25 ponto percentual sobre os atuais 14,25% ao ano. No Brasil, a Fipe divulga o IPC de julho às 6h (leitura anterior: +0,18%) e o IBGE traz a Produção Industrial de junho às 9h, com o mercado projetando queda de 0,7% no mês ante recuo de 0,2% na leitura anterior. Nos Estados Unidos, o BEA divulga a balança comercial de junho às 9h30, com projeção de déficit de US$ 73 bilhões ante US$ 77,6 bilhões no mês anterior; JOLTS e o relatório de emprego da ADP saem entre hoje e amanhã.

A leitura para o portfólio

O viés externo é levemente risk-on: a força de Wall Street ontem, puxada por tecnologia, tende a favorecer a abertura de IVVB11 e NASD11. Mas a cautela da Ásia com a intervenção cambial e a proximidade da decisão do Copom devem manter o BOVA11 mais contido, com o mercado local mais atento ao noticiário doméstico do que ao exterior nesta véspera de decisão de juros. Dólar mais forte e Treasuries em recuo compõem um quadro ainda de sustentação para o ouro, com GOLD11 tendendo a operar próximo da estabilidade. Para o petróleo, vale observar se a recuperação do Brent nesta manhã tem fôlego ou é apenas um ajuste técnico após o tombo da véspera — o ativo segue como termômetro direto da tensão no Oriente Médio.

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