Copom decide Selic na quarta em semana de tensão no Irã e Fed mais hawkish sob Warsh
Antes do Pregão

Copom decide Selic na quarta em semana de tensão no Irã e Fed mais hawkish sob Warsh

A semana traz a decisão do Copom na quarta-feira, balanços de Itaú e Petrobras, dados de emprego nos EUA e a escalada entre Washington e Teerã que já levou o petróleo perto da máxima em seis meses.

O que ficou da semana

O Ibovespa fechou sexta-feira aos 177.999 pontos (+0,47% no dia), acumulando alta de 2,27% na semana e 3,47% no mês. O dólar encerrou em R$ 5,0704 (+0,18% no dia), mas recuou 1,79% em julho. Em Nova York, o S&P 500 subiu para 7.489,72 pontos (+0,7%), o Nasdaq foi a 25.373,85 pontos (+1%) e o Dow Jones encadeou o quarto mês seguido de alta, aos 52.485,03 pontos. O ouro destoou: caiu 1,24% no dia, a US$ 4.049,10 a onça-troy, pressionado por sinais de dirigentes do Fed sobre possível alta de juros. Já o petróleo WTI rondou US$ 66 o barril, com ganho semanal de 5% e perto da máxima em seis meses, após Donald Trump cogitar um ataque militar limitado ao Irã.

A agenda que importa

O evento central da semana é a decisão do Copom, na noite de quarta-feira (5/8), após reunião nos dias 4 e 5. A Selic está em 14,25% a.a., e o Focus do Banco Central projeta apenas mais 0,25 ponto percentual de corte até dezembro — distribuído entre as quatro reuniões restantes do ano. Nos EUA, o mercado de trabalho entra em foco entre terça e quarta (4 e 5/8), com a divulgação do JOLTS (vagas abertas) e da pesquisa ADP de emprego privado. Na temporada de balanços do 2º trimestre, Itaú Unibanco (ITUB4) reporta na terça (4/8) e Petrobras, na quinta (6/8) — além de BB Seguridade e Pague Menos, já na segunda (3/8).

Os temas em aberto

No front geopolítico, Trump cancelou no sábado (1/8) uma nova ofensiva militar contra o Irã, alegando ter chegado a um entendimento que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim da ameaça nuclear iraniana. Teerã nega ter pedido a suspensão, e a Casa Branca mantém o tom: diz que os EUA seguem "armados e prontos". O desfecho dessa negociação é o principal gatilho para o petróleo na semana. No front monetário americano, o Fed sob Kevin Warsh mantém a taxa entre 3,50% e 3,75%, mas parte do comitê já discute a possibilidade de alta, e não corte, ainda em 2026 — uma inversão de narrativa em relação ao ciclo anterior, com a próxima reunião do FOMC marcada para 15 e 16 de setembro. No Brasil, a dúvida é o ritmo do Copom: manter o corte de 0,25 p.p. ou sinalizar pausa diante do espaço já reduzido no Focus.

A leitura para o portfólio

A postura mais hawkish do Fed sob Warsh é o dado que mais pesa na reabertura: pressiona ouro (GOLD11) e tende a sustentar o dólar frente a moedas emergentes, mesmo com o real fechando julho em valorização. No Ibovespa (BOVA11), a semana testa se o fôlego de julho resiste à decisão do Copom e aos balanços de peso do setor financeiro e de petróleo. Do lado americano (IVVB11, NASD11), o mercado de trabalho — JOLTS e ADP — funciona como termômetro antecipado para o payroll de setembro e para a leitura sobre o próximo passo do FOMC. Já o petróleo, com o WTI perto da máxima em seis meses, é o ativo mais sensível a qualquer novidade sobre o entendimento entre EUA e Irã ao longo da semana.

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