Acordo em Ormuz derruba petróleo e leva ouro a quase US$ 4.300; Ásia corrige, futuros mistos em NY
Antes do Pregão

Acordo em Ormuz derruba petróleo e leva ouro a quase US$ 4.300; Ásia corrige, futuros mistos em NY

Avanço no acordo entre Irã e Omã para reabrir o Estreito de Ormuz derruba o petróleo e turbina o ouro, que renova máxima em quatro pregões. Ásia corrige com pressão sobre semicondutores, enquanto futuros em Nova York operam mistos após mais um recorde do Dow. No Brasil, o mercado ainda digere o quarto corte seguido da Selic, agora em 14% ao ano.

O que move os mercados nesta manhã

O noticiário geopolítico dita o tom da manhã desta quinta-feira. Irã e Omã avançaram em um acordo para reabertura parcial do Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial —, e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou à CNBC que um acordo poderia ser fechado ainda nesta quinta-feira. O resultado imediato: o petróleo Brent recua mais de 4,7% em relação ao pregão anterior, para perto de US$ 83 o barril, aliviando um dos principais focos de tensão inflacionária do ano.

Paradoxalmente, o ouro segue subindo mesmo com o alívio geopolítico: o metal opera perto de US$ 4.300 a onça nesta manhã, quarto pregão consecutivo de alta e ganho de quase 6% só nesta semana. Na Ásia, o Nikkei 225 fechou em queda de 0,93%, aos 65.683 pontos, pressionado por realização de lucros em ações de inteligência artificial e semicondutores. Na Europa, as bolsas abrem em alta, no mesmo embalo do otimismo com Ormuz. Nos EUA, os futuros operam mistos: contratos do Dow Jones sobem 0,33% e do S&P 500 avançam 0,14%, enquanto o Nasdaq 100 cede 0,48%, refletindo a mesma cautela com tecnologia vista na Ásia. O rendimento da Treasury de 10 anos recua para 4,617%.

Como fechou o último pregão

Wall Street fechou ontem (5) em direções distintas. O Dow Jones subiu 0,5%, renovando pela segunda sessão seguida sua máxima histórica e emendando o quinto pregão positivo consecutivo. Já o S&P 500 recuou cerca de 0,2% após bater recorde na véspera, e o Nasdaq Composite caiu 0,8%, interrompendo uma sequência de quatro altas puxada por perdas em papéis de tecnologia.

No Brasil, o Ibovespa encerrou em leve queda de 0,09%, aos 177.726 pontos, pressionado por Petrobras e bancos em meio à cautela política em torno da chapa presidencial de oposição. O dólar fechou em leve baixa de 0,04%, cotado a R$ 5,128. O evento de maior peso do dia, porém, veio do Banco Central: o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,00% ao ano, quarto corte consecutivo do ciclo, em decisão unânime. O comitê reforçou que o cenário segue marcado por incerteza elevada e que os próximos passos serão graduais e dependentes de dados.

Agenda do dia

Nos Estados Unidos, o destaque é a divulgação semanal dos pedidos de auxílio-desemprego, tradicional termômetro do mercado de trabalho antecipando o payroll de amanhã (sexta-feira). No Brasil, o mercado segue de olho nos desdobramentos da decisão do Copom de ontem e no noticiário político em torno da disputa presidencial, que tem pesado sobre ativos domésticos nas últimas sessões.

A leitura para o portfólio

O quadro da manhã combina alívio geopolítico com cautela em tecnologia — uma leitura mista para o apetite a risco. A queda do petróleo tende a beneficiar a inflação global, mas pressiona o segmento de energia, com impacto esperado sobre ativos ligados a Petrobras na abertura. Já a alta do ouro, mesmo com o recuo da tensão em Ormuz, sinaliza que parte do capital global segue em modo defensivo — movimento observável via GOLD11 na B3. A fraqueza em semicondutores na Ásia e nos futuros de Nasdaq tende a se refletir sobre o NASD11 na abertura, enquanto o IVVB11 deve navegar o mesmo sinal misto do S&P 500. No cenário doméstico, o corte da Selic para 14% mantém o viés de suporte a ativos de risco locais no médio prazo, com o BOVA11 e o SMAL11 historicamente mais sensíveis a esse tipo de sinalização — ainda que a cautela política siga como contrapeso nas primeiras negociações do dia.

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