O fato
O Departamento de Comércio dos Estados Unidos divulgou hoje dois indicadores que definem o humor do mercado global: o PIB do segundo trimestre cresceu a uma taxa anualizada de 1,5%, abaixo dos 2,1% esperados por analistas, e o índice de Preços de Gastos com Consumo Pessoal (PCE) — a métrica de inflação preferida do Federal Reserve — desacelerou para 3,7% em 12 meses em junho, com o núcleo em 3,3%. Os números chegam um dia depois de o Fed manter a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75% pela quinta reunião seguida, em votação dividida de 9 a 3, com três dirigentes regionais defendendo alta imediata.
Por que importa
Crescimento mais fraco somado a inflação em desaceleração é a combinação que o mercado lê como espaço para corte de juros mais à frente — mesmo com o Fed sinalizando cautela e o novo presidente do BC americano, Kevin Warsh, reforçando que a inflação segue acima da meta de 2%. Juro mais baixo nos EUA tende a enfraquecer o dólar globalmente e redirecionar fluxo de capital para ativos de risco, incluindo mercados emergentes como o Brasil.
Quem reage
Wall Street opera em alta nesta quinta-feira: o Dow Jones sobe 0,27%, o S&P 500 avança 0,78% e o Nasdaq salta 1,67%, impulsionados pela Microsoft, que soma alta de 2,47% após reportar receita trimestral recorde de US$ 90 bilhões (+18% na comparação anual) com o Azure crescendo 43%. Para o investidor brasileiro, o movimento se traduz em ETFs como o IVVB11 (S&P 500) e o NASD11 (Nasdaq). No pregão local, o Ibovespa opera em alta de cerca de 0,7%, próximo dos 175 mil pontos — replicado pelo BOVA11 —, enquanto o dólar recua por volta de 0,5%, cotado perto de R$ 5,09 na venda.
O que fica para o investidor
O quadro de hoje reforça a leitura de que o ciclo de juros nos EUA segue em compasso de espera, mas com viés de corte caso os próximos dados de emprego confirmem desaceleração. No Brasil, a atenção se volta para a reunião do Copom na semana que vem, com expectativa de corte da Selic caso a inflação siga controlada. Vale monitorar também o desfecho da tarifa de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros, prevista para entrar em vigor em 6 de agosto — fator que pode pressionar o câmbio e o fluxo de capital estrangeiro para a bolsa nas próximas semanas.
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Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Analista responsável: CNPI Nº 261 — Solis Research Ltda.