IPCA-15 desacelera a 0,06% em julho, ritmo mais fraco do ano, e abre caminho para novo corte da Selic
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IPCA-15 desacelera a 0,06% em julho, ritmo mais fraco do ano, e abre caminho para novo corte da Selic

A prévia da inflação oficial subiu apenas 0,06% em julho, bem abaixo do 0,41% de junho e da mediana de mercado de 0,19%. O resultado amplia a aposta em corte de 0,25 ponto percentual pelo Copom em agosto e leva o Ibovespa a operar em alta nesta terça-feira.

O fato

O IPCA-15 subiu 0,06% em julho, o menor ritmo do ano, ante alta de 0,41% em junho, informou o IBGE nesta terça-feira. O número ficou bem abaixo da mediana projetada por analistas consultados pela Reuters, de 0,19%. No acumulado de 2026, a prévia da inflação está em 3,51%; em 12 meses, recuou de 4,80% para 4,52%. Habitação puxou o índice para cima (alta de 0,97% e impacto de 0,15 p.p.), com energia elétrica residencial subindo 3,03%. Do lado oposto, alimentação e bebidas caiu 0,66%, tirando 0,15 p.p. do índice — a deflação de alimentos compensou boa parte da pressão habitacional.

Por que importa

A Selic está em 14,25% ao ano, com o Copom em ciclo de flexibilização desde meados do ano. A próxima decisão sai em 5 de agosto. Um IPCA-15 tão abaixo do esperado reduz o risco de a inflação em 12 meses reacelerar e dá ao Banco Central margem para manter o ritmo de cortes rumo ao centro da meta. O mercado de juros futuros já precifica esse cenário: a curva de DI recuou ao longo de todo o pregão desta terça, reforçando a aposta em nova redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião.

Quem reage

O Ibovespa opera em alta, perto dos 176,7 mil pontos por volta das 12h, avanço de cerca de 0,7% no dia — ações sensíveis a juros lideram os ganhos, movimento que se traduz no desempenho do BOVA11, ETF que replica o índice na B3. Já o dólar opera em queda de 0,24%, cotado a R$ 5,11 — o alívio de risco doméstico pesou mais que o efeito do diferencial de juros hoje. Para quem acompanha renda fixa via ETFs, papéis atrelados à Selic tendem a ver a rentabilidade futura reduzida à medida que o ciclo de corte avança.

O que fica para o investidor

Um dado bom isolado não muda o quadro de fundo: o mercado ainda vai monitorar o IPCA cheio de julho, a divulgar em agosto, e a decisão do Copom em 5 de agosto, para confirmar se o corte de 0,25 p.p. se concretiza. Enquanto o ciclo de queda de juros avança, ações e renda fixa prefixada tendem a se beneficiar de uma Selic mais baixa à frente; quem usa ETFs como o BOVA11 para exposição a ações brasileiras tem no dado de hoje um sinal favorável à continuidade do ciclo — mas a confirmação depende dos próximos indicadores.

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