Focus reduz projeção de inflação pela 4ª semana, mas IPCA de 5,12% segue acima do teto da meta
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Focus reduz projeção de inflação pela 4ª semana, mas IPCA de 5,12% segue acima do teto da meta

Boletim Focus desta segunda-feira mostra IPCA 2026 recuando para 5,12%, quarta queda semanal seguida, mas ainda acima do teto da meta. Selic segue projetada em 14% e mercado reage em alta no Ibovespa.

O fato

O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (27) mostra a projeção de IPCA para 2026 recuando de 5,15% para 5,12% — quarta queda semanal seguida na mediana das casas consultadas. O número segue acima do teto de 4,5% da meta de inflação (centro de 3%, com tolerância de 1,5 ponto). O IPCA acumulado em 12 meses está em 4,72%. Para a Selic, a mediana no fim de 2026 permanece em 14% ao ano — a taxa vigente hoje é 14,25%. Já as projeções para 2027 e 2028 subiram, de 4,20% para 4,22% e de 3,78% para 3,80%, respectivamente. O IGP-M para 2026 recuou de 5,55% para 5,42%.

Por que importa

O Focus é a bússola oficial do mercado para o Copom, que se reúne em 4 e 5 de agosto. A leitura de hoje é ambígua: a inflação cede, mas de forma lenta e ainda distante da meta — o que trava o espaço para cortes agressivos de juros. Com a Selic em 14,25% e a mediana do mercado apontando para apenas 14% no fim do ano, resta margem para, no máximo, mais um corte de 0,25 ponto até dezembro. É o desenho de um ciclo de afrouxamento monetário que perde força à medida que a inflação resiste acima do teto.

Quem reage

O Ibovespa opera perto de 174,6 mil pontos por volta do meio-dia, após abrir em 174.042 — movimento puxado por ações cíclicas e bancos, que sobem com a queda dos juros futuros ao longo de toda a curva DI. Na B3, a leitura equivale a viés positivo para BOVA11 e para SMAL11, mais sensível ao custo de capital doméstico. O dólar comercial opera em alta, cotado a R$ 5,098, avanço de cerca de 0,23% no dia. O apetite por risco também é global: bolsas americanas e europeias sobem e os juros dos Treasuries recuam, na esteira da expectativa de retomada de negociações entre EUA e Irã — cenário que favorece IVVB11, atrelado ao S&P 500.

O que fica para o investidor

O sinal do Focus de hoje é de transição, não de virada: a inflação cede, mas devagar, e o teto da meta segue furado. Para o portfólio, isso significa que o ciclo de corte de juros no Brasil está perto do fim, com pouco espaço adicional — o que tende a sustentar o apetite por ativos domésticos sensíveis a juro (bancos, varejo, small caps) sem eliminar o prêmio de risco embutido no câmbio. Vale acompanhar a reunião do Copom em agosto e os próximos boletins Focus, que indicarão se a queda de hoje é o início de uma tendência ou um ajuste pontual.

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