O que move os mercados nesta manhã
O epicentro da manhã é a Ásia: o Kospi, da Coreia do Sul, cai perto de 6% nesta terça-feira, acumulando um tombo de mais de 16% em dois pregões após a China anunciar produção em massa de equipamentos litográficos DUV — avanço tecnológico que ameaça a hegemonia de Samsung e SK Hynix na fabricação de chips de memória. É a segunda sessão seguida em que a bolsa coreana aciona circuit breakers. No Japão, o Nikkei fechou ontem em queda de 3,95%, aos 62.364,92 pontos, contaminado pela mesma onda: a fabricante de memória Kioxia despencou 18,3%, seu pior dia desde novembro. Na Europa, o clima é outro: DAX, CAC 40, FTSE 100 e Euro Stoxx 50 abriram em alta nesta manhã embalados por balanços corporativos, com destaque para o IBEX 35 espanhol, que renovou máxima histórica ao avançar 0,7%, aos 19.888 pontos. Já os futuros de Wall Street recuam cerca de 0,5%, moderando o otimismo europeu à espera da decisão de juros do Federal Reserve.
Como fechou o último pregão
Nos Estados Unidos, o Dow Jones subiu mais de 500 pontos ontem, favorecido pela queda do petróleo e pela rotação de capital para fora das ações de semicondutores, justamente as mais afetadas pelo susto chinês. No Brasil, o Ibovespa fechou ontem em alta de 0,7%, aos 176.564,75 pontos — máxima do dia em 178.539 pontos —, impulsionado por um IPCA-15 mais fraco do que o esperado, com volume de R$ 22 bilhões negociados. O dólar à vista encerrou em leve alta de 0,17%, cotado a R$ 5,1219. No mercado de commodities, o petróleo Brent segue perto de US$ 90 por barril, ainda refletindo a escalada militar entre Estados Unidos e Irã no fim de semana, enquanto o ouro se mantém acima de US$ 4.000 a onça, sustentado por tensão geopolítica mesmo com juros dos Treasuries e dólar mais firmes pressionando o metal.
Agenda do dia
O grande evento é a decisão de juros do Federal Reserve, às 15h (Brasília) — o mercado projeta manutenção da taxa no intervalo entre 3,50% e 3,75% —, seguida da coletiva de imprensa do presidente Kevin Warsh, às 15h30, sua primeira reunião sob discurso mais duro contra a inflação. Às 11h30, o Departamento de Energia dos EUA divulga o estoque semanal de petróleo, com expectativa de queda de 1,7 milhão de barris. Na temporada de balanços, Meta, Microsoft e Santander reportam resultados ao longo do dia. No Brasil, o Banco Central divulga a estatística semanal de fluxo cambial.
A leitura para o portfólio
A manhã combina dois sinais opostos: aversão a risco pontual em semicondutores asiáticos e apetite por risco em ações europeias de balanços. Para o investidor local, o efeito esperado na abertura é pressão sobre ativos ligados a tecnologia e cadeia de chips, com reflexo no NASD11, enquanto o BOVA11 tende a repetir a cautela dos futuros americanos à espera do Fed — o texto do comunicado e o tom de Warsh às 15h30 devem ditar o apetite por risco no fim do dia. Dólar e juros mais altos nos EUA tendem a manter pressão sobre o GOLD11, mesmo com o metal sustentado por tensão geopolítica. O IVVB11 deve abrir com viés discretamente negativo, replicando a cautela dos futuros de Nova York antes da decisão.
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Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Analista responsável: CNPI Nº 261 — Solis Research Ltda.