O evento
Na quinta-feira (23), o petróleo Brent rompeu a barreira de US$ 100 o barril pela primeira vez em dois meses, depois que rebeldes houthis do Iêmen atacaram dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho — abrindo uma segunda frente marítima de disrupção ao lado do Estreito de Ormuz. O presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a dizer que avalia um "ataque massivo" contra o Irã e seus aliados houthis.
Nesta sexta-feira (24), porém, a Reuters revelou, citando três fontes paquistanesas, que o Paquistão articula — com um empurrão inicial da China — reatar as negociações entre Washington e Teerã, paralisadas há cerca de cinco meses de guerra. O sinal de possível saída diplomática fez o Brent recuar 2,5%, para US$ 91,82, ainda bem acima do patamar anterior ao pico da semana.
A leitura econômica
O petróleo é o canal direto de transmissão entre o conflito e o resto da economia global: cada barril mais caro eleva o prêmio de risco embutido no fluxo pelo Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial — e agora também pelo Mar Vermelho. Isso realimenta as expectativas de inflação global e as apostas em juros americanos mais altos por mais tempo.
Foi esse mecanismo que, hoje, funcionou ao contrário: o recuo do óleo aliviou os rendimentos dos Treasuries de 10 anos, que haviam batido máxima de 18 meses acima de 4,7% na semana. Ainda assim, o dólar segue perto de máxima de três semanas no índice DXY, sustentado tanto pelo prêmio geopolítico remanescente quanto pela guerra comercial em curso, com novas tarifas americanas contra dezenas de países.
Os ativos sensíveis
- Petróleo (Brent): recuou a US$ 91,82 (-2,5%), após romper US$ 100 na véspera.
- Treasuries de 10 anos: aliviaram após tocar máxima de 18 meses (acima de 4,7%).