O evento
Irã e Omã anunciaram nesta quarta-feira (26) avanços concretos para um corredor marítimo temporário no Estreito de Ormuz — a via por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito comercializado no mundo. O arranjo prevê a retirada de minas navais e a criação de um canal de 11,3 km de largura, com entrada e saída por águas territoriais iranianas.
A rota está sob tensão desde que a guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos começou em 28 de fevereiro, e o impasse segue sem solução definitiva: a implementação do corredor depende de os EUA aceitarem os termos propostos, e Washington já afirmou rejeitar qualquer arranjo em Ormuz que não passe pelo seu controle. Foi a segunda sessão seguida de recuo no petróleo com o avanço das tratativas.
A leitura econômica
O mecanismo é direto: menos risco de interrupção no fluxo de 20% da oferta global de petróleo reduz o prêmio de guerra embutido no preço do barril, o que alivia pressão inflacionária global e abre espaço para bancos centrais sustentarem cortes de juros. É esse canal que conecta Ormuz ao dólar: com o prêmio de risco geopolítico em queda, o apetite por proteção cambial diminui e o real teve fôlego para se firmar.
No mesmo dia, o mercado também precificava as atas do FOMC, com cerca de 70% de probabilidade atribuída a um corte de 25 pontos-base pelo Federal Reserve em setembro — um segundo vetor, monetário, empurrando na mesma direção do alívio geopolítico sobre os juros longos.
Os ativos sensíveis
O petróleo liderou o movimento: o Brent (contrato de outubro) fechou em queda de 2,96%, a US$ 85,96 o barril, e o WTI cedeu 2,63%, a US$ 80,19. Na B3, a Petrobras (PETR4) fechou em queda de 1,8%, na contramão do Ibovespa, que avançou 1,55%, aos pontos — quinta alta seguida, leitura equivalente ao ETF BOVA11.