O evento
Irã e Omã anunciaram nesta terça-feira um acordo para a reabertura temporária do Estreito de Ormuz, com a gestão do canal marítimo ficando sob responsabilidade compartilhada dos dois países, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei. O movimento ocorre dias depois de o governo Trump anunciar uma ofensiva de sanções contra o Irã — batizada internamente de "economic D-Day" pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent —, mas cujas medidas efetivas (sanções a 60 entidades, sem punição direta a países que comercializam com Teerã) vieram abaixo do temor inicial do mercado.
O Estreito de Ormuz é a rota por onde passava cerca de um quinto do petróleo transportado por navio no mundo antes do conflito, e o tráfego de navios-tanque no local havia despencado para poucas unidades por semana desde fevereiro. O acordo de hoje sinaliza o primeiro passo concreto para normalizar esse fluxo.
A leitura econômica
O mecanismo de transmissão é direto: menos risco de interrupção em Ormuz reduz o prêmio geopolítico embutido no barril, destravando oferta represada e pressionando os preços do petróleo para baixo. Ao mesmo tempo, o alívio geopolítico reforça o apetite por risco em ativos como bolsas emergentes, enquanto o dólar segue pressionado por apostas em corte de juros do Fed — tema que ganha força às vésperas do simpósio de Jackson Hole e do dado de inflação PCE de quarta-feira. Esse ambiente de dólar fraco é o que sustenta o rali do ouro, mesmo com o quadro de risco geopolítico mais ameno.
Os ativos sensíveis
O petróleo Brent fechou em US$ 88,58, queda de 3,9% no dia, e o WTI encerrou a US$ 82,36, recuo de 3,1% — os contratos acumulam perda superior a 5% na semana. O ouro subiu 1,04%, a US$ 4.662,68 a onça, movimento que pode ser acompanhado via GOLD11 na B3. O rendimento do Treasury de 10 anos recuou a 4,701%, queda de 0,74% no dia, refletindo o mesmo pano de fundo de juros futuros mais baixos nos EUA. No câmbio, o dólar fechou perto de , cedendo cerca de 0,25% ante o real.