O evento
O Irã atacou petroleiros no Estreito de Ormuz nesta segunda e terça-feira, atingindo o navio-tanque de GNL catari Al-Rekayyat e outra embarcação com um projétil não identificado. A coalizão naval liderada pelos EUA elevou o nível de ameaça na rota para "severo". Em resposta, o Tesouro americano revogou a licença da OFAC que permitia ao Irã vender petróleo no mercado global — desmontando um pilar do memorando de entendimento assinado com Teerã há poucas semanas. O pano de fundo é grave: o líder supremo iraniano morreu em um ataque EUA-Israel, e o funeral de Estado segue até 9 de julho, com as negociações de desnuclearização entre Washington e Teerã suspensas durante o luto. Paralelamente, começou hoje em Ancara a cúpula da Otan, com Trump se reunindo com Zelensky e o presidente sírio Ahmed al-Sharaa — a segurança de Ormuz deve entrar na pauta.
A leitura econômica
Ormuz concentra cerca de um quinto do petróleo negociado no mundo. Ataques a petroleiros e a revogação da licença de exportação iraniana operam em duas frentes: reduzem oferta disponível no curto prazo e elevam o prêmio de risco geopolítico embutido no barril. O efeito se propaga para o dólar como ativo de refúgio, para os yields de Treasuries — que refletem tanto o risco quanto a leitura sobre juros americanos — e para bolsas globais, especialmente setores sensíveis a energia e a cadeias de suprimento marítimas.
Os ativos sensíveis
O petróleo Brent fechou em alta de 3%, a US$ 74,16 o barril, com pregão futuro chegando a saltar 5,6%, para US$ 76,04 após o anúncio do Tesouro. O WTI avançou 2,8%, para US$ 70,44, com máxima futura de US$ 72,25. Em Nova York, o Dow Jones fechou em queda de 0,25%, aos 52.925,15 pontos; o S&P 500 (referência do IVVB11 na B3) recuou 0,45%, a 7.503,85 pontos; e o Nasdaq Composite (referência do NASD11) caiu 1,16%, a 25.818,69 pontos, pressionado também por uma venda em semicondutores após resultados da Samsung e rumores sobre chip de IA da chinesa DeepSeek. O ouro operou perto de — nível de referência para o — sustentado pela busca por proteção. O yield da Treasury de 10 anos ficou em . No Brasil, o dólar fechou perto de , e o Ibovespa (espelhado pelo ) encerrou praticamente estável, aos , com o avanço do petróleo amenizando o viés de aversão a risco global via peso de Petrobras no índice.