O que é
A curva de juros é um gráfico que mostra, num mesmo dia, quais taxas de juros o mercado está pagando para prazos diferentes: um mês, um ano, cinco anos, dez anos. Não existe "a" taxa de juros — existe uma taxa para cada prazo, e a curva é o conjunto de todas elas lado a lado.
Como funciona na prática
Pense num financiamento de carro: o banco cobra uma taxa se você parcelar em 12 meses e outra, geralmente diferente, se parcelar em 48 meses. Com títulos públicos e outros papéis de renda fixa acontece o mesmo. O termômetro mais usado no Brasil é o contrato de DI (Depósito Interfinanceiro, um empréstimo de um dia entre bancos cuja taxa negociada no mercado futuro serve de referência para todo o resto da renda fixa). Quando investidores compram e vendem contratos de DI para vencimentos diferentes, o preço desses contratos revela a taxa de juros que o mercado espera para cada prazo — e isso desenha a curva. Ela muda todo dia, porque reflete a expectativa do mercado sobre o rumo da Selic (a taxa básica de juros, definida pelo Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central) e sobre a inflação futura. Quando a curva sobe com o prazo, o mercado cobra mais para travar dinheiro por mais tempo. Quando ela desce, o mercado aposta que os juros vão cair à frente.
Um exemplo com números
Em 16 de setembro de 2026, o Copom cortou a Selic de 14% para 13,75% ao ano. Mas dois dias antes, em 14 de setembro de 2026, a curva de juros já mostrava taxas diferentes por prazo: o contrato de DI para janeiro de 2028 fechava em 13,615% ao ano, e o contrato para janeiro de 2035 fechava em 14,25% ao ano. Ou seja, mesmo com a Selic em trajetória de queda no curto prazo, o mercado exigia uma taxa maior para travar dinheiro até 2035 — sinal de que a incerteza cresce quanto mais longe no tempo o compromisso vai.
O erro comum
O investidor iniciante olha só para a Selic de hoje e assume que todo título vai render "mais ou menos isso" até o vencimento. Não vai. Um título prefixado ou atrelado à inflação com vencimento em 2035 é precificado pela taxa que a curva mostra para 2035, não pela taxa de hoje. Ignorar isso é comprar um título de prazo longo achando que ele se comporta como um de prazo curto — e se surpreender quando o preço oscila muito mais do que o esperado.