O que é
Montar a parte de renda fixa da carteira é decidir, dentro do dinheiro que você já separou para não arriscar na bolsa, quanto vai para cada tipo de título e para cada prazo, de acordo com o que esse dinheiro precisa fazer e quando precisa estar disponível. Não é escolher "o melhor título de renda fixa" — isso não existe fora de um objetivo.
Como funciona na prática
A lógica começa pelo objetivo, não pela taxa. Para a reserva de emergência, o critério principal é liquidez: poder resgatar em poucos dias, sem perder dinheiro, se o carro quebrar ou o emprego sumir. Para um objetivo de dois ou três anos, cabe travar uma taxa prefixada ou pós-fixada, aceitando menos liquidez em troca de previsibilidade. Para longo prazo, como aposentadoria, a inflação pesa mais do que a oscilação de curto prazo, e um título atrelado ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, que mede a inflação oficial do país) protege o poder de compra. Em cada faixa, ainda é preciso repartir entre emissores — Tesouro Nacional, bancos, empresas — porque cada um carrega um risco de crédito diferente, e entre prazos, porque um título mais longo oscila mais no meio do caminho (isso é a duration). O imposto também entra na conta: quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado, menor a alíquota na tabela regressiva do imposto de renda, que vai de 22,5% até 180 dias a 15% acima de 720 dias — regra que segue vigente em 2026, depois de uma proposta de alíquota única de 17,5% não ter sido aprovada. Isso favorece quem separa prazo por objetivo em vez de misturar tudo num único título.
Um exemplo com números
Em 3 de outubro de 2026, a Selic (taxa básica de juros definida pelo Banco Central) está em 13,75% ao ano, nível fixado pelo Copom (Comitê de Política Monetária) em 16 de setembro de 2026 — referência que baliza um CDB (Certificado de Depósito Bancário) ou um Tesouro Selic pensado para a reserva de emergência. Para quem divide dinheiro entre bancos menores em busca de taxa maior, o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) garante até R$ 250 mil por CPF (Cadastro de Pessoa Física) em cada instituição, com teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos — valores vigentes nesta data. Concentrar R$ 500 mil num único banco pequeno, mesmo em CDB garantido pelo FGC, deixa metade do valor fora da proteção.
O erro comum
O erro mais comum é tratar renda fixa como uma categoria única: colocar o dinheiro da reserva de emergência num CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) de prazo longo porque a taxa parecia melhor, ou concentrar tudo num único emissor atrás do CDB com a maior taxa anunciada, sem olhar se aquele banco tem risco de crédito maior e se o valor cabe dentro do teto do FGC. Rentabilidade mais alta quase sempre embute mais prazo, mais risco de crédito ou menos liquidez — nunca é almoço grátis.