O evento
Na quarta-feira (8), o presidente Donald Trump declarou que o cessar-fogo com o Irã "acabou", durante a cúpula da Otan na Turquia. Horas depois, o Comando Central dos EUA (Centcom) lançou uma nova rodada de ataques contra cerca de 90 alvos militares no Irã, com explosões registradas na cidade portuária de Sirik e na Ilha de Qeshm, ambas próximas ao Estreito de Ormuz. O Tesouro americano revogou a licença que autorizava a venda de petróleo iraniano. Teerã respondeu pelo segundo dia consecutivo com ataques contra bases dos EUA e de aliados no Kuwait e no Bahrein — o Ministério da Defesa kuwaitiano confirmou nesta quinta-feira (9) a interceptação de mísseis e drones.
A leitura econômica
O epicentro da preocupação de mercado é o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo negociado globalmente. Qualquer ameaça à navegação na rota eleva o prêmio de risco geopolítico embutido no barril e pressiona a inflação global — ponto já sinalizado pela ata de junho do BCE, que citava o conflito no Oriente Médio como risco altista para os preços de energia. Em paralelo, o fluxo para ativos de proteção como ouro e Treasuries reflete cautela, enquanto as bolsas de risco testam se a escalada fica restrita a trocas pontuais de ataques ou evolui para um bloqueio efetivo do estreito.
Os ativos sensíveis
Nesta quinta-feira (9), o mercado precificou a leitura de contenção: o WTI recuou 2,42%, a US$ 71,74 o barril, revertendo parte da alta de mais de 4% da véspera, quando a commodity reagiu ao anúncio dos primeiros ataques. O ouro fechou em alta de 1,43%, a US$ 4.140,80 a onça-troy, com alívio simultâneo do dólar e dos juros dos Treasuries — sinal de apetite por proteção sem pânico generalizado. O dólar cedeu ante o real, fechando a R$ 5,12, e o Ibovespa encerrou o pregão em alta de 1,22%, aos 172.742,12 pontos, puxado por bancos e recuperando-se de três sessões seguidas de perdas — mesmo com a Petrobras entre as maiores baixas, pressionada pelo recuo do petróleo. Na leitura por ETFs, o movimento equivale a um dia positivo para o BOVA11, que replica o Ibovespa, enquanto posições ligadas a petróleo e papéis do setor de energia tendem a amplificar no curto prazo a volatilidade do WTI.