Dólar recua a R$ 5,17 e Ibovespa fecha em alta, mas mercado já projeta Selic em 13,75% para o fim de 2026
Análise

Dólar recua a R$ 5,17 e Ibovespa fecha em alta, mas mercado já projeta Selic em 13,75% para o fim de 2026

O Ibovespa encerrou a última sessão com alta de 0,76%, aos 173.295,14 pontos, enquanto o dólar recuou 0,43% e fechou em R$ 5,17, mesmo com a ata do Copom mantendo dúvidas sobre o ritmo de cortes na Selic. Para o investidor brasileiro, o sinal é de cautela: juros ainda elevados favorecem a renda fixa, mas a volatilidade no câmbio e nas commodities exige atenção redobrada na alocação da carteira.

Ibovespa sobe, dólar cede, mas o juro segue no centro do debate

Na última sessão de negociação antes do início da semana, o Ibovespa fechou com alta de 0,76%, aos 173.295,14 pontos, com máxima intradiária de 173.964 pontos. O índice acumula alta de 7,55% em 2026, mas ainda registra leve queda de 0,28% no mês. Do lado cambial, o dólar recuou 0,43% e foi cotado a R$ 5,17, aliviando parte da pressão vista nas semanas anteriores, quando a moeda chegou a tocar R$ 5,22 — maior nível em 13 meses.

O pano de fundo, porém, continua sendo a política monetária. O Copom reduziu a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano na reunião de 16 e 17 de junho, mas a ata divulgada na sequência não trouxe sinalização clara sobre o ritmo dos próximos cortes. Diante disso, as casas de análise já elevaram a projeção da Selic para o fechamento de 2026 de 13,50% para 13,75% ao ano, e a inflação projetada para os próximos quatro trimestres está em 5,2%.

Por que isso afeta o Brasil?

Juros mais altos por mais tempo tornam o Brasil mais atrativo para o capital estrangeiro de curto prazo, o que ajuda a explicar o alívio recente do dólar. Mas essa atratividade depende da percepção de risco fiscal e da trajetória da inflação: qualquer sinal de descontrole nas contas públicas ou de resistência da inflação pode reverter o fluxo de capital rapidamente, pressionando o câmbio para cima e a bolsa para baixo — o mecanismo clássico de fuga para ativos seguros (dólar, treasuries) em momentos de incerteza.

Selic, câmbio e bolsa

Com a Selic em 14,25% e projeção de fechar o ano em 13,75%, a renda fixa continua entregando retornos reais elevados, o que tende a competir com a bolsa por capital. Ainda assim, o Ibovespa sobe 7,55% no ano, beneficiado por setores ligados a commodities e bancos. O dólar em R$ 5,17 representa um recuo frente às máximas recentes, mas o mercado segue vigilante: a indefinição da ata do Copom sobre o ritmo futuro de cortes mantém a volatilidade como pano de fundo tanto para o câmbio quanto para a renda variável.

O que monitorar

Nos próximos dias, o investidor deve acompanhar: a divulgação de novos dados de inflação (IPCA) que podem confirmar ou contestar a projeção de 5,2% para o acumulado em quatro trimestres; a evolução dos preços do petróleo, que tem pressionado papéis como Petrobras e, por consequência, o Ibovespa; e as próximas falas de membros do Copom e do presidente Galípolo, que podem antecipar o tom da política monetária para o segundo semestre. No cenário externo, decisões do Federal Reserve continuam sendo o principal vetor de fluxo de capital para mercados emergentes como o Brasil.

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