Dólar no maior nível em 13 meses
O dólar fechou esta semana em alta de 0,28%, cotado a R$ 5,2006 na venda, após tocar R$ 5,2215 na máxima do dia — o maior valor em 13 meses. O movimento reflete a busca global por ativos considerados mais seguros, em um cenário de tensões geopolíticas e expectativa de que o Federal Reserve eleve juros nos Estados Unidos ao longo de 2026.
Ao mesmo tempo, o Ibovespa recuou 0,44%, fechando em 170.506,66 pontos, pressionado pela fraqueza das ações ligadas a commodities e pela saída de capital estrangeiro do mercado doméstico. A queda acontece na mesma semana em que o IBGE divulgou a Pnad Contínua, mostrando recuo da taxa de desemprego para 5,6% no trimestre encerrado em maio — um dado positivo para a atividade econômica, mas que não foi suficiente para conter o nervosismo dos investidores com o cenário externo.
Por que isso afeta o Brasil?
O mecanismo é direto: quando o diferencial entre os juros americanos e os juros brasileiros diminui — porque o Fed sinaliza alta enquanto o Banco Central brasileiro caminha para cortar a Selic —, o Brasil fica menos atrativo para o capital estrangeiro. Investidores internacionais retiram recursos da bolsa e de títulos públicos brasileiros e migram para ativos em dólar, considerados mais seguros nesse cenário. Essa saída de capital pressiona o câmbio para cima e tira força do Ibovespa.
Some-se a isso o chamado "risco país": tensões geopolíticas e incertezas fiscais internas tornam o real mais vulnerável a movimentos bruscos, ampliando a volatilidade tanto na bolsa quanto no câmbio.
Selic, câmbio e bolsa
- Selic: mantida em 14,25% ao ano, após o Copom iniciar o ciclo de cortes em março. O ritmo de redução tem sido mais lento que o esperado pelo mercado, justamente por causa das pressões inflacionárias ligadas ao cenário externo e ao próprio câmbio mais depreciado.