Ata do Copom e estreia hawkish de Kevin Warsh no Fed
O mercado financeiro brasileiro passou o dia repercutindo dois eventos que se completam: a divulgação da ata do Copom e a primeira reunião de política monetária do Federal Reserve sob o comando de Kevin Warsh. No Brasil, o comitê confirmou o corte da Selic para 14,25% ao ano, o terceiro recuo consecutivo de 0,25 ponto percentual, mas manteve o tom cauteloso: o texto reconhece que o cenário inflacionário se deteriorou entre as reuniões de abril e maio, com a inflação projetada para 2026 revisada para 5,2%, acima do teto da meta.
Do outro lado, o Fed manteve os juros americanos na faixa de 3,50% a 3,75%, mas a comunicação da estreia de Warsh surpreendeu por ser mais dura do que o esperado, sinalizando cautela em vez da estabilidade que o mercado vinha precificando.
Por que isso afeta o Brasil?
A combinação de um Fed mais hawkish com um Banco Central brasileiro em ciclo de corte de juros estreita o diferencial de juros entre os dois países — o famoso "carry trade". Quando esse diferencial diminui e a sinalização americana fica mais conservadora, parte do capital estrangeiro que busca retorno em renda fixa brasileira tende a reavaliar a posição, pressionando o real e aumentando a percepção de risco país. É esse mecanismo que explica por que decisões do Fed, mesmo sem mudança efetiva na taxa, movem o câmbio e a bolsa brasileira no mesmo dia.
Selic, câmbio e bolsa
Na prática, os três principais termômetros do mercado já refletem esse cenário:
- Selic: cortada para 14,25% ao ano, ainda um dos juros reais mais altos do mundo, o que sustenta o apelo da renda fixa local mesmo em ciclo de queda.
- Câmbio: o dólar comercial fechou em alta de 0,88%, a , repercutindo a cautela do Fed e a ata do Copom.