Petróleo recua de US$ 100 com sinal de diplomacia entre EUA e Irã, mas guerra completa cinco meses sem trégua
Macro & Geopolítica

Petróleo recua de US$ 100 com sinal de diplomacia entre EUA e Irã, mas guerra completa cinco meses sem trégua

O Brent recuou 2,5%, a US$ 91,82, nesta sexta-feira (24), depois que o Paquistão, com apoio da China, sinalizou esforço para reatar as negociações entre Estados Unidos e Irã, paralisadas há cerca de cinco meses de guerra. O alívio no petróleo aliviou os juros dos Treasuries e sustentou Wall Street, enquanto o Ibovespa fechou em queda pressionado por Petrobras e novas tarifas dos EUA.

O evento

Na quinta-feira (23), o petróleo Brent rompeu a barreira de US$ 100 o barril pela primeira vez em dois meses, depois que rebeldes houthis do Iêmen atacaram dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho — abrindo uma segunda frente marítima de disrupção ao lado do Estreito de Ormuz. O presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a dizer que avalia um "ataque massivo" contra o Irã e seus aliados houthis.

Nesta sexta-feira (24), porém, a Reuters revelou, citando três fontes paquistanesas, que o Paquistão articula — com um empurrão inicial da China — reatar as negociações entre Washington e Teerã, paralisadas há cerca de cinco meses de guerra. O sinal de possível saída diplomática fez o Brent recuar 2,5%, para US$ 91,82, ainda bem acima do patamar anterior ao pico da semana.

A leitura econômica

O petróleo é o canal direto de transmissão entre o conflito e o resto da economia global: cada barril mais caro eleva o prêmio de risco embutido no fluxo pelo Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial — e agora também pelo Mar Vermelho. Isso realimenta as expectativas de inflação global e as apostas em juros americanos mais altos por mais tempo.

Foi esse mecanismo que, hoje, funcionou ao contrário: o recuo do óleo aliviou os rendimentos dos Treasuries de 10 anos, que haviam batido máxima de 18 meses acima de 4,7% na semana. Ainda assim, o dólar segue perto de máxima de três semanas no índice DXY, sustentado tanto pelo prêmio geopolítico remanescente quanto pela guerra comercial em curso, com novas tarifas americanas contra dezenas de países.

Os ativos sensíveis

  • Petróleo (Brent): recuou a US$ 91,82 (-2,5%), após romper US$ 100 na véspera.
  • Treasuries de 10 anos: aliviaram após tocar máxima de 18 meses (acima de 4,7%).
  • Dólar (DXY): em torno de 101,45 pontos, perto de máxima de três semanas.
  • Ouro: seguiu acima de US$ 4.000 a onça, papel de proteção — equivalente em ETF: GOLD11.
  • Wall Street: Dow Jones +0,46% (51.947 pontos); S&P 500 +0,05% (7.412 pontos) — equivalente IVVB11; Nasdaq -0,64% (24.976 pontos) — equivalente NASD11, pressionado por semicondutores.
  • B3: Ibovespa fechou em queda de 1,44%, a 174.185 pontos — equivalente BOVA11 — pressionado pela queda de Petrobras e por novas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros. O dólar à vista fechou perto da estabilidade, a R$ 5,08 (-0,06%).

O que monitorar

  • A decisão de Trump sobre um eventual "ataque massivo" ao Irã, que pode reverter o alívio do petróleo a qualquer momento.
  • O avanço — ou o fracasso — da articulação paquistanesa e chinesa para reatar as negociações entre EUA e Irã.
  • O nível de US$ 100 no Brent como referência técnica: um novo rompimento reacende o prêmio de risco global.
  • Novos ataques a navios no Mar Vermelho e no Estreito de Ormuz, que podem reabrir a disrupção logística.
  • Os desdobramentos das novas tarifas americanas sobre o comércio global e seu efeito sobre exportadoras listadas na B3.

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