O evento
O conflito entre Estados Unidos e Irã escalou de forma abrupta nas últimas 24 horas. Após novos ataques americanos — incluindo um bombardeio ao canteiro de obras da usina nuclear iraniana de Darkhovin —, a Guarda Revolucionária Islâmica atacou nesta quarta-feira (22) instalações militares dos EUA na Base Naval de Bandar Salman e na Base Aérea Ali Al Salem, no Bahrein e no Kuwait, além de alvos na Jordânia. Em resposta a ataques contra três petroleiros no Estreito de Ormuz, Washington revogou a licença que permitia ao Irã exportar petróleo — suspensa desde o memorando de entendimento assinado em junho — e atingiu mais de 60 embarcações de pequeno porte da Guarda Revolucionária no estreito. Teerã classificou a revogação como violação do acordo que buscava encerrar a guerra e prometeu adotar "qualquer medida necessária" para proteger seus interesses.
A leitura econômica
O Estreito de Ormuz concentra cerca de um quinto do petróleo negociado no mundo, e qualquer risco à navegação ali se traduz em prêmio de risco imediato no preço do barril. Esse choque de oferta reacende o temor de inflação nos EUA — em ano de eleições legislativas por lá e às vésperas de decisão do Federal Reserve — o que empurrou os juros dos Treasuries para a máxima do ano. Juros mais altos encarecem o custo de oportunidade de ativos sem rendimento, como o ouro, e pressionam múltiplos de ações de crescimento, sobretudo as de tecnologia. Para o Brasil, a lógica se inverte: como exportador líquido de petróleo, o país se beneficia do choque via termos de troca, o que ajuda a explicar por que o real se descolou do movimento global do dólar.
Os ativos sensíveis
O petróleo Brent fechou em alta de cerca de 7%, a US$ 100,69 o barril; o WTI avançou 6%, a US$ 92,19. O ouro recuou 2,45%, a US$ 4.050,20 a onça-troy na Comex — GOLD11 tende a refletir esse movimento na B3. Em Nova York, o S&P 500 (referência do IVVB11) caiu 1,21%, a 7.408,30 pontos, e o Nasdaq (NASD11) recuou 2,15%, a 25.137,69 pontos, pressionados também por resultados fracos de Tesla (-14%) e Alphabet (-6,5%). Já o Ibovespa (BOVA11) fechou em alta de 2,44%, aos 177.548 pontos, maior nível desde 10 de julho, encerrando cinco pregões seguidos de queda — puxado por Petrobras (ON +2,39%, PN +2,21%), PRIO e PetroRecôncavo. O dólar comercial recuou 0,42%, a R$ 5,053, menor patamar desde 2 de junho, terceira sessão consecutiva de queda.
O que monitorar
O foco imediato é o tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz e uma eventual resposta iraniana adicional após a revogação da licença de exportação. No radar também está a decisão de política monetária do Federal Reserve, com o mercado reprecificando o ritmo de cortes de juros diante da alta do petróleo. O Banco Central Europeu já sinalizou cautela ao manter os juros inalterados nesta quinta. Do lado doméstico, vale acompanhar o desdobramento da possível disputa do Brasil na OMC contra as tarifas americanas, outro vetor de risco para o fluxo de capital estrangeiro na bolsa local.
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Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Analista responsável: CNPI Nº 261 — Solis Research Ltda.