CPI americano de 4,2% e o conflito no Irã
O índice de preços ao consumidor dos EUA (CPI) de maio de 2026 trouxe um alerta para os mercados globais: 4,2% ao ano, o maior patamar desde abril de 2023. O principal vetor foi a energia, que disparou 23,5% na comparação anual — reflexo direto das tensões geopolíticas com o Irã, que pressionaram o petróleo em todo o mundo. Apenas a gasolina subiu 40,5%, e o óleo combustível avançou 58,9%. Alimentos também pesaram, com alta de 3,1%.
O dado chegou dias antes da reunião do Federal Reserve (FOMC) marcada para 16 e 17 de junho — o primeiro encontro presidido por Kevin Warsh, o novo presidente do Fed. O mercado já precificava manutenção dos juros (probabilidade de 97% de hold), mas o CPI aquecido elevou para 70% a chance de ao menos uma alta adicional ainda em 2026. Isso reforça o cenário de juros elevados por mais tempo nos EUA — o chamado higher for longer —, com peso direto sobre economias emergentes como o Brasil.
Por que isso afeta o Brasil?
Quando a inflação americana sobe e o Fed sinaliza mais aperto monetário, os investidores globais tendem a realocar capital para ativos americanos, que passam a oferecer retorno maior com percepção de menor risco. Esse movimento gera fuga de capital de mercados emergentes, deprecia moedas como o real e eleva o risco-país.
O mecanismo é direto: dólar mais forte → importações mais caras → pressão inflacionária interna → Banco Central brasileiro com menos margem para cortar a Selic. No Brasil, a inflação já está projetada em 4,92% para 2026, e o mercado precifica a Selic em 13,50% ao fim do ano — patamar que freia o crescimento e comprime as margens das empresas listadas na B3.