Copom corta a Selic, mas mercado reage com cautela
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, em sua reunião dos dias 16 e 17 de junho, reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano — o segundo corte seguido da mesma magnitude, após a redução de abril. No comunicado, o Banco Central reforçou os riscos inflacionários e manteve postura de vigilância, sem sinalizar claramente os próximos passos. Reflexo disso: os economistas consultados pelo BC elevaram a projeção do IPCA para 2026 a 5,11%, acima do centro da meta de inflação.
Ao mesmo tempo, do lado externo, o Federal Reserve manteve os juros americanos na faixa entre 3,5% e 3,75%, mas indicou a possibilidade de nova alta ainda em 2026 — uma postura mais dura (hawkish) do que o mercado esperava.
Por que isso afeta o Brasil?
O corte da Selic, isoladamente, tende a reduzir a atratividade dos títulos públicos brasileiros para o investidor estrangeiro. Mas o efeito ficou ainda mais evidente porque, no mesmo momento, o Fed sinalizou que pode subir — e não cortar — os juros dos EUA. Isso estreita o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, tornando o real menos atrativo frente ao dólar e elevando o chamado "risco-país". Capital estrangeiro tende a migrar para ativos americanos, mais seguros e agora também mais rentáveis, gerando saída de recursos da bolsa brasileira e pressão de alta sobre o câmbio.
Selic, câmbio e bolsa
- Selic: caiu para 14,25% ao ano; o mercado já elevou a projeção para o fim de 2026 para 13,75%, sinal de que o ciclo de cortes deve ser mais lento do que se esperava.
- Dólar: subiu 0,41%, para R$ 5,110 na quarta-feira (17/06), em reação direta à decisão do Fed, e voltou a operar perto de R$ 5,15 ao longo da semana.