A agência de notícias iraniana Tasnim, afiliada ao governo, informou na segunda-feira que os negociadores de Teerã interromperam toda comunicação com os Estados Unidos por meio de terceiros e não retomarão o diálogo enquanto Israel não se retirar completamente das áreas ocupadas no Líbano e não cessar as operações militares tanto no Líbano quanto em Gaza. O comunicado afirmou que "a frente de resistência e o Irã tomaram a decisão de bloquear totalmente o Estreito de Ormuz e ativar outras frentes, incluindo o Estreito de Bab al-Mandeb, como forma de retaliar contra os sionistas e seus aliados".
A medida desfaz semanas de tímidos avanços diplomáticos. No início de maio, o presidente Trump havia suspendido uma operação naval americana no estreito, citando progressos em direção a um acordo com o Irã. O Qatar havia incentivado um diálogo direto com Teerã, com o Ministro de Estado para Assuntos de Defesa do Qatar, Xeque Saoud bin Abdulrahman Al Thani, descrevendo a via navegável de Ormuz como "o pescoço do mundo".
A ameaça surge em um momento em que os estoques globais de petróleo se esgotam em um ritmo sem precedentes. A Agência Internacional de Energia informou que os estoques observados caíram cerca de 4 milhões de barris por dia em março e abril — uma redução total de 246 milhões de barris desde o início do conflito. O Goldman Sachs estimou que os estoques visíveis encolheram em um recorde de 8,7 milhões de barris por dia em maio, quase o dobro do ritmo registrado desde o início da guerra.
O vice-presidente sênior da ExxonMobil, Neil Chapman, alertou na Conferência Bernstein na semana passada que os preços do petróleo bruto poderiam disparar assim que os estoques se esgotassem. "Quando você chega a esse nível realmente baixo de estoque, até US$ 150, US$ 160, é o que os modelos indicam", disse Chapman, acrescentando que esse patamar poderia ser atingido em duas a três semanas. O CEO da Chevron, Mike Wirth, reforçou o alerta, afirmando que os "amortecedores de choque" do mercado estão quase no limite
Separadamente, a Rússia proibiu na segunda-feira as exportações de combustível de aviação até 30 de novembro, alegando a necessidade de "garantir a estabilidade no mercado interno de combustíveis" após ataques de drones ucranianos terem reduzido as taxas de processamento das refinarias ao menor nível em 16 anos. A Reuters informou que é a primeira proibição de exportação de combustível de aviação da história da Rússia. Embora a Bloomberg tenha observado que a medida teria "pouco impacto nos mercados internacionais de combustível", dado o volume do comércio russo de querosene de aviação, ela evidencia a amplitude das perturbações energéticas que se acumulam simultaneamente em múltiplos cenários.
A AIE projetou que o mercado global de petróleo permanecerá "gravemente desabastecido" até pelo menos outubro, mesmo que o conflito no Oriente Médio termine em breve.

Geopolítica
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