O fato
As vendas no varejo dos Estados Unidos caíram 0,6% em julho ante junho, para US$ 763,6 bilhões, informou nesta sexta-feira (14) o Departamento de Comércio americano. O resultado surpreendeu analistas: o consenso da FactSet projetava alta de 0,1%. Excluindo automóveis, o recuo foi de 0,3%. Na comparação anual, o varejo americano ainda cresce 5%. O dado chega um dia depois de um índice de preços ao produtor (PPI) mais fraco que o esperado, e no mesmo dia em que a confiança do consumidor medida pela Universidade de Michigan também recuou — combinação que reforça a leitura de um consumidor americano perdendo fôlego.
Por que importa
Consumo responde por cerca de dois terços do PIB americano, e um varejo mais fraco alimenta a tese de que o Federal Reserve terá espaço para cortar juros com mais convicção nas próximas reuniões. Isso pressiona os yields dos Treasuries e tende a enfraquecer o dólar no mercado internacional. No Brasil, porém, o efeito é ambíguo: enquanto o dólar cede lá fora, aqui ele sobe, pressionado por fatores locais — saída de capital estrangeiro da B3, o rebaixamento da recomendação para ativos brasileiros feito pelo JPMorgan (de overweight para neutro, na terça-feira) e a proximidade da eleição presidencial, com o mercado à espera de nova pesquisa Quaest.
Quem reage
Nos EUA, os futuros do S&P 500 (equivalente a IVVB11 na B3) operam mistos após a bolsa fechar em máxima histórica na véspera, enquanto o consumo mais fraco pesa sobre o apetite por risco. No Brasil, o Ibovespa — replicado pelo BOVA11 — opera em queda, a caminho da oitava sessão consecutiva no negativo, e chegou a ceder 0,75% na abertura, aos 165.715 pontos. O dólar opera perto de R$ 5,21, depois de abrir em alta de 0,36%, a R$ 5,1744. Já são quase R$ 12 bilhões em saída de capital estrangeiro da bolsa brasileira só em agosto.
O que fica para o investidor
O dado de hoje aumenta o peso dos próximos indicadores de emprego e inflação americana na precificação do próximo movimento do Fed. Para o portfólio brasileiro, o ponto de atenção é a dissociação entre o cenário externo (dólar mais fraco no mundo) e o cenário local (real pressionado por fluxo e política): o diferencial de juros entre Selic (14%) e Fed (3,50%–3,75%), hoje em torno de 10 pontos percentuais, segue sendo o principal amortecedor do câmbio brasileiro nos próximos dias, junto com o desenrolar do calendário eleitoral.
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Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Analista responsável: CNPI Nº 261 — Solis Research Ltda.