O fato
A semana encerrada na sexta-feira, 6/11, deixou duas mudanças de cenário para quem investe a partir do Brasil. Em Nova York, o S&P 500 recuou 2,68% entre sexta e sexta — a pior semana desde abril de 2025 —, e a Nasdaq caiu 3,37%, puxada por uma liquidação em ações ligadas à inteligência artificial. Na quinta (5/11), a Nasdaq perdeu cerca de 5,5% em um único pregão e entrou em correção, mais de 10% abaixo do pico. Reportagens associaram o movimento à leitura do resultado das eleições de meio de mandato nos EUA, com temor de desaceleração dos investimentos em data centers, e à projeção fraca da Qualcomm.
No Brasil, o Copom manteve a Selic em 13,75% na quarta (4/11), por unanimidade, e encerrou o ciclo de cortes iniciado em março, citando inflação acima da meta e piora do cenário externo.
Por que importa
As duas notícias mudam o preço do dinheiro. Lá fora, o payroll de outubro, divulgado na sexta, mostrou 165 mil vagas criadas, bem acima da projeção de cerca de 60 mil, e desemprego de 4,1%. Um mercado de trabalho firme reduz o espaço para alívio monetário nos EUA e sustenta o dólar — o que pressiona moedas emergentes.
Aqui, a pausa do Copom tira do horizonte a queda gradual dos juros que vinha sustentando a renda variável doméstica. Selic estável em patamar alto mantém a renda fixa pós-fixada competitiva e encarece o custo de capital das empresas.
Como a semana fechou
No fechamento de sexta (6/11), o Ibovespa subiu 1,39%, aos 168.498 pontos, e encerrou a semana com alta próxima de 0,3% — a primeira semana positiva depois de três quedas. Os juros futuros (DI) recuaram em toda a curva no dia. O dólar fechou a R$ 5,51 e acumulou alta de 1,20% na semana.