PPI dos EUA fica estável e afasta risco de alta de juros do Fed em setembro; Ibovespa cai pela sétima sessão
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PPI dos EUA fica estável e afasta risco de alta de juros do Fed em setembro; Ibovespa cai pela sétima sessão

O índice de preços ao produtor dos EUA ficou estável em julho, abaixo da expectativa de alta de 0,2%, e reduziu a probabilidade de o Federal Reserve subir os juros em setembro. No Brasil, o Ibovespa opera em baixa de 0,22% e o dólar sobe a R$ 5,18, na sétima queda seguida da bolsa.

O fato

O Índice de Preços ao Produtor (PPI) dos Estados Unidos referente a julho ficou estável, variação de 0% na comparação mensal, divulgado hoje pelo Bureau of Labor Statistics — abaixo da expectativa de alta de 0,2% dos analistas consultados pela Reuters. O núcleo do índice, que exclui itens voláteis, subiu 0,2%, também aquém da previsão de 0,3%. Na comparação anual, o PPI avançou 4,7%. Preços de serviços subiram 0,2% no mês, enquanto bens recuaram 0,7%.

O dado vem um dia após o CPI de julho mostrar inflação ao consumidor de 3,4% em 12 meses, e reduziu a probabilidade de o Federal Reserve elevar os juros na reunião de 15 e 16 de setembro: as apostas em manutenção da taxa subiram para 67,9%, ante cerca de 54% no início da semana.

Por que importa

Um Fed menos propenso a subir juros tende a aliviar a pressão sobre ativos de risco globalmente e sobre o custo do dólar — mecanismo que atravessa direto o câmbio e a bolsa brasileira. Mas o cenário é ambíguo: a medida mais restrita do núcleo do PPI, que exclui alimentos, energia e serviços comerciais, acelerou para 0,4% no mês, ante 0,1% em junho — sinal de que a inflação subjacente americana ainda não está domada. É esse contraste entre alívio no headline e alerta no núcleo mais estreito que deixa o mercado sem direção clara sobre o próximo passo do Fed.

No Brasil, o pano de fundo é o oposto: o Copom cortou a Selic para 14,00% ao ano na reunião mais recente, o quarto corte consecutivo do ciclo iniciado em março. A divergência entre um Fed em compasso de espera — com risco residual de alta — e um Banco Central que segue cortando juros tende a pressionar o fluxo de capital e o câmbio.

Quem reage

O Ibovespa opera em queda de 0,22%, aos 167.500 pontos por volta das 12h, na sétima sessão seguida de baixa — movimento refletido no BOVA11, que cai 0,61% no dia. O dólar sobe 0,29%, cotado a R$ 5,18, com o real pressionado pelo "risco Brasil" e pela saída de capital estrangeiro, que soma mais de R$ 7,2 bilhões em cinco sessões. Nos Estados Unidos, os futuros de ações operam em alta e os juros dos Treasuries recuam após o dado do PPI, movimento que tende a beneficiar o IVVB11, atrelado ao S&P 500. Na ponta positiva doméstica, o varejo brasileiro (PMC de junho) surpreendeu, com alta de 0,5% no mês e 2,9% em 12 meses, acima da previsão dos economistas.

O que fica para o investidor

A leitura de curto prazo é de mercado dividido: o alívio pontual na inflação ao produtor americana convive com sinais de resiliência no núcleo mais restrito, o que mantém a incerteza sobre os próximos passos do Fed. Para o investidor brasileiro, o contraste entre o ciclo de corte de juros por aqui e a indefinição nos EUA é o que vale acompanhar — ele tende a determinar a direção do dólar e o apetite por risco na bolsa local nas próximas semanas. O relatório de emprego americano e o índice de preços PCE de agosto, ainda por vir, devem ser os próximos gatilhos para o mercado.

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