Ormuz travado: EUA dizem ter 'controle total', Irã nega e petróleo cai 2,4%
Macro & Geopolítica

Ormuz travado: EUA dizem ter 'controle total', Irã nega e petróleo cai 2,4%

Washington diz que o Estreito de Ormuz opera com fluxo de quase 9 milhões de barris por dia sob escolta militar americana; Teerã nega e afirma que a via segue bloqueada. O impasse, sem avanço no acordo de junho, não impediu o petróleo de fechar em queda de 2,4% nesta quinta-feira, pressionado por estoques recordes e corte nas projeções de demanda global.

O evento

O impasse entre Estados Unidos e Irã sobre o Estreito de Ormuz não deu sinal de degelo nesta quinta-feira. O secretário de Energia americano, Chris Wright, afirmou que o fluxo de petróleo pelo estreito chegou a uma média de quase 9 milhões de barris por dia na última semana, sob escolta militar dos EUA, e o presidente Donald Trump repetiu que Washington está em "controle total" da via. A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, ligada a Teerã, rebateu pelo X: "o Estreito de Ormuz permanece bloqueado e não será reaberto até que as condições do Irã sejam aceitas". Uma fonte do governo iraniano disse à Reuters que não há "absolutamente nenhum avanço" para reviver o acordo interino fechado em junho, e o tráfego de navios pela via está perto da mínima em três meses.

A leitura econômica

Ormuz concentra cerca de um quinto do petróleo negociado no mundo, e por isso funciona como termômetro de risco geopolítico direto para o barril. O padrão esperado seria alta do petróleo, fortalecimento do dólar como proteção e pressão sobre juros longos. Isso só se confirmou em parte hoje: o próprio número de 9 milhões de barris/dia divulgado pelos EUA é contestado — a TD Securities estima o fluxo real em cerca de 5 milhões, e o JPMorgan, em 4 milhões —, o que trouxe ceticismo em vez de alívio ao mercado. Ao mesmo tempo, o petróleo cedeu porque a OPEP cortou sua previsão de crescimento da demanda global em 2026 (de 780 mil para 580 mil barris/dia) e os estoques americanos surpreenderam com alta de 17,4 milhões de barris, na contramão da expectativa de queda. O prêmio de risco geopolítico migrou para dólar e ouro, mesmo com o CPI de julho dos EUA em linha com o esperado (3,4%) reduzindo a chance de novo aperto do Fed.

Os ativos sensíveis

O petróleo fechou em queda: WTI caiu 2,4%, a US$ 81,25 o barril, e o Brent recuou a US$ 87,69. O índice DXY cedeu 0,14%, mas segue perto de 100 pontos sustentado por fluxo de proteção; o euro operou perto de US$ 1,1525 e o dólar avançou frente ao iene, a ¥ 159,35. No câmbio local, o dólar rondou R$ 5,18. O ouro se manteve perto de US$ 4.400 a onça, com alta de quase 10% no mês — equivalente ao GOLD11 na B3. Os Treasuries de 30 anos operaram com rendimento próximo de 5,23%, o maior patamar desde 2001, véspera de leilão de US$ 25 bilhões. O Ibovespa fechou em queda de 0,23%, aos 167.491 pontos, sétima sessão seguida no vermelho — movimento replicado pelo BOVA11. Já em Nova York, o S&P 500 fechou em novo recorde, a 7.798,99 pontos (+0,7%, equivalente ao IVVB11), puxado por apostas em juros mais baixos; o Nasdaq subiu 0,8%, a 26.803 pontos (NASD11), e o Dow Jones avançou 0,1%.

O que monitorar

O leilão de Treasuries de 30 anos ainda hoje é o próximo teste de apetite por dívida longa dos EUA — demanda fraca pressionaria ainda mais os yields e o dólar. No radar também: o próximo relatório semanal de estoques da EIA, o PPI americano ainda por vir e qualquer confirmação independente do volume real de petróleo cruzando Ormuz, hoje disputado entre Washington e Teerã.

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